Banco de Olhos soma 41 captações de córnea

Número, referente aos 5 primeiros meses de 2015, representa quase a totalidade registrada em todo o ano passado, de 42 procedimentos

PRUDENTE - Arize Juliani

Data 02/06/2015
Horário 09:20
 

Nos primeiros cinco meses de 2015, em Presidente Prudente, foram registradas 41 captações de córneas – quase a totalidade dos procedimentos realizados durante todo o ano passado, que somaram 42. Já em relação à captação múltipla de órgãos, a incidência é 60% maior que do ano passado, tendo em vista que neste ano foram 15 captações – índice superior ao registrado em 2014, quando foram captados nove. Já em relação aos transplantes de córneas foram totalizados 27 no ano passado, sendo até ontem registrados 14 trâmites transplantais. Os dados foram divulgados na 1ª Mesa-Redonda de Incentivo à Doação de Órgãos, ocorrida na regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), evento que marca a parceria entre o Banco de Olhos Maria Sesti Barbosa da Santa Casa e iniciativa do Carim (Associação de Apoio ao Paciente Renal Crônico).

De acordo com o presidente do Banco de Olhos de Presidente Prudente, Irineu Sesti Filho, as captações ocorrem em razão do intenso trabalho que realizado com os bancos centrais de transplante de Ribeirão Preto e São Paulo, bem como parcerias com instituições locais que estão fomentando a busca ativa e a conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Segundo ele, as 15 captações múltiplas de órgãos beneficiaram 150 pessoas. "Estamos fazendo um grande trabalho para conseguirmos avançar. Pretendemos, neste ano, ajudar todos aqueles que precisam de captação trabalhando com afinco para fazer acontecer. Por isso, pulverizar a informação é muito importante para conhecimento em relação à seriedade de salvar uma vida".

Para debater e fomentar a importância da doação de órgãos, além de discutir a realização do 1º Fórum Municipal da Pessoa com Insuficiência Renal Crônica e Transplantada que ocorreu no mês de abril, o Carim promoveu mesa-redonda em parceria com o Banco de Olhos, e buscará intensificar as campanhas de conscientização na cidade. O presidente do Carim, Walmyr Geraldo Almeida, destaca que reunirá todas as entidades que cuidam da captação de órgãos para formalizar a união de um Grupo de Captação de Órgãos Gerais. Já a assistente social da associação, Elaine de Oliveira Almeida, destaca que existe demanda grande de pessoas em tratamento hemodialítico – quase 350 pacientes renais crônicos em acompanhamento e 20 aguardam transplante na fila de espera.

O coordenador da Comissão Intra Hospitalar de Transplante de Órgãos da Santa Casa, Carlos Eduardo Bosso, salienta que o transplante colabora com a qualidade de vida do paciente – a exemplo daqueles que fazem tratamento da diálise, pois o renal crônico tem qualidade de vida muito baixa em razão das restrições alimentares e líquidas, mas a partir do momento que recebe o transplante, sua vida volta ao normal. O médico enfatiza que está ocorrendo, em média, a realização de um transplante por mês na instituição. Em contrapartida, em maio, foram dois de rim. "É importante sempre frisar a importância da captação, porque para quem doa o momento é muito difícil, mas para quem recebe é um divisor entre ter uma qualidade de vida muito ruim com um órgão desfuncionante, e ter a chance de vida normal com o transplante".

 

Informar a família


Os entusiastas à doação de órgãos devem comunicar a família em vida, pois no momento de precisão e constatada a morte encefálica, são os entes próximos quem autorizam a doação. O coordenador informa que são realizadas buscas ativas nas unidades consideradas críticas, como a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e Salas de Emergência – locais onde existem pacientes no respirador para captar pessoas com potencial para doação. "Isso é feito para acompanharmos mais de perto e fazer o contato com a família. Existem mitos com relação à doação de órgãos e a morte cerebral. O nosso papel é acolher a família e explicar para ter consciência do processo que estarão entrando".

Além disso, o profissional ressalta que nunca se sabe o momento que ocorre algum tipo de tragédia, tendo em vista que o estágio de morte cerebral ocorre em razão de algum mal súbito e o registro da entrada hospitalar é inconsciente. "É importante que haja um trabalho do núcleo familiar e ocorra uma conversa do paciente em vida, informando a decisão sobre a doação caso ocorra alguma situação que envolva este processo. Essa conversa é importante, porque no momento de passar pelo momento difícil, em que o familiar está em um comprometimento muito sério e está sem consciência, torna-se necessário saber qual o seu desejo".

 

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