Barragens

O Espadachim, um cronista que não é contraindicado em caso de suspeita de dengue

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 24/07/2020
Horário 05:30

Quem vai barrar as barragens perigosas, aquelas que podem se romper a qualquer momento? Tendo por base o que foi divulgado até agora, dezenas de barragens, principalmente de mineradoras, oferecem risco à população e, claro, à fauna e à flora Brasil afora.
Um simples açude pode ser perigoso, se estourar. Quando eu era criança pequena lá na Alta Paulista, um sitiante cismou de criar peixes e represou um riacho em sua propriedade. 
Ele usou apenas terra na construção da barragem e logo um belo lago se formou. Depois, o sitiante colocou milhares de alevinos que é como são chamados os filhotes de peixe. O açude durou pouco tempo.
Na primeira temporada de chuva, foi tudo por água abaixo e, no caso, literalmente. Bastou um toró mais forte para "arrebentar" a barragem que, como citei, foi feita com terra. Foi um estrago danado. O açude recebia muitos visitantes. 
Milhares de peixes "bateram as barbatanas" e as lavouras que ficavam abaixo foram arrasadas pela correnteza com pouca lama. Se pouca lama, de um simples açude, já faz um estrago danado, imagine 13 milhões de metros cúbicos de lama, como aconteceu em Brumadinho.
"É como estar dentro de um liquidificador", contou uma garota, parente de uma sobrevivente. Acho que a imagem usada por ela - a do liquidificador - faz sentido. Uma enxurrada de lama - no caso com rejeitos de minério de ferro - "embrulha" as vítimas. Nariz, boca, olhos e ouvidos são tapados e dificilmente alguém sobrevive. 
A probabilidade de uma pessoa sobreviver à queda de um prédio ou de uma casa é maior, sem dúvida nenhuma, como já aconteceu inúmeras vezes. As avalanches de lama e neve são mais perigosas, e não desejo isso nem aos diretores e aos acionistas da Vale, que, aliás, desrespeitando o momento de dor, estão preocupadíssimos com os valores das ações nas bolsas de São Paulo e de Nova York.
É bom que se diga com todas as letras, de preferência letras garrafais: a mineração é uma atividade predadora que ferra o planeta e, às vezes, mata gente, animais e a própria mata em si (a repetição da palavra é intencional).
Em busca do ouro, da prata, do bronze e do ferro, por exemplo, buracos enormes foram abertos em todo o mundo. E continuam sendo abertos, com grandes danos ao meio ambiente, que, aliás, está cada vez mais meio. Alguns buracos, no caso do Brasil, impressionam pelo tamanho, como se vê, por exemplo, no Pará. Minas Gerais também está muito "esburacada". E bota buraco nisso. Parece que foram abertos por tatus gigantes pré-históricos. Muito triste tudo isso.   
Evidente que os minérios são necessários. Eles estão no celular e no automóvel, mas será que não dá para rever os métodos para extraí-los com segurança do seio da terra? Seio da terra? Gostei! Acho que a Vale mama no seio da terra e que se dane o resto.

P.S.: Mencionei o meio ambiente e, do jeito que a coisa está no Brasil, o meio ambiente vai virar mínimo ambiente. 
 
DROPS

Vale tudo em Brumadinho e em Mariana?

Quando ouço falar de Vale, lembro-me do sabonete Vale Quanto Pesa.

Perguntinha inocente (1): quem com rejeitos de minério de ferro fere, com rejeitos de minério de ferro será ferido?

Perguntinha inocente (2): a Vale vai dar vale ou uma indenização justa aos parentes das vítimas?
 

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