Carta intercepta contrato para matar detentos

Desdobramento da Operação Echelon impediu assassinato de 2 integrantes de facções; com mortes, Lúcifer seria perdoado por grupo

REGIÃO - ROBERTO KAWASAKI

Data 18/07/2018
Horário 05:49

A Operação Echelon teve desdobramentos, após a finalização do inquérito de investigação pela Polícia Civil no mês passado. Bilhetes interceptados na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau revelam que a facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas tentou, em 2017, usar um assassino conhecido como Lúcifer, para matar dois rivais detidos na penitenciária de segurança máxima em Campo Grande (MS). Além deste, telefonemas foram flagrados por policiais em penitenciárias que possuem bloqueadores de celular instalados, que tratavam sobre tráfico de drogas e assassinatos de agentes públicos.

De acordo com o promotor de Justiça do MPE (Ministério Público Estadual), Lincoln Gakiya, a carta foi interceptada na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau no andamento da operação. Em um trecho escrito à mão, os detentos da cúpula paulista tentavam entrar em contato com Lúcifer, preso há quase 20 anos, a fim de cumprir uma missão para o grupo. Conforme o promotor, seriam assassinados dois inimigos que estavam presos no presídio em Campo Grande, sendo eles: o líder de uma facção criminosa atuante na região norte, e um ex-integrante da facção paulista, que foi um dos fundadores do grupo.

Conforme explica o promotor, “Lúcifer também é ex-integrante da facção, e receberia o perdão se praticasse os assassinatos. Ele já tem um histórico de assassinatos em cela, situação na qual já matou mais de seis presos de unidades prisionais”. Diante da interceptação da carta, Lincoln diz que “o crime não ocorreu, mas que os envolvidos continuam no sistema de segurança máxima”, sem informar as localidades.

Ligações telefônicas

Ainda em desdobramentos da Echelon, autoridades policiais flagraram que telefonemas estavam sendo feitos em penitenciárias que possuem bloqueadores de celular, o que levanta questionamentos sobre a eficácia do sistema para barrar a comunicação entre os detentos. No entanto, aqui na região os fatos não foram constatados, segundo o promotor Lincoln. “As gravações ocorrem para verificar a eficiência dos bloqueadores, caso houver, a SAP [Secretaria de Administração Penitenciária] é acionada e a empresa responsável precisa fazer a manutenção. Por aqui não houve vazamento, uma vez que os bloqueadores passam por manutenções rotineiramente, por meio de testes para verificar se há ou não vazamento de sinal”, acrescenta.

Conforme noticiado pela “FolhaPress”, dezenas de criminosos foram flagrados em conversas telefônicas feitas no ano passado dentro e fora de prisões, que contemplam 14 Estados. Nas ligações, os detentos tratavam de tráfico e homicídios de agentes públicos. Entre os locais flagrados, estava a penitenciária de Valparaíso (a 564 km da capital paulista) e um presídio de segurança máxima em Campo Grande — ambos equipados com bloqueadores de sinal de celular.

Ainda segundo informações obtidas pela “FolhaPress”, a SAP afirma ter aberto investigação para apurar os telefonemas em presídio com bloqueador de celular. Ainda informa que nas unidades com bloqueadores de sinal "são realizados testes semanalmente para coibir brechas tecnológicas", trabalho acompanhado por especialista em defesa e segurança da empresa contratada.

SAIBA MAIS

Como noticiado por este diário, a Operação Echelon visa combater uma célula de organização criminosa atuante em Estados brasileiros e países vizinhos. Ela foi iniciada no ano passado em um esforço conjunto entre a inteligência da pasta, a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) e o MPE. O ponto de partida foi a Operação Ethos, em 2016, com a prisão de advogados e um representante da área de direitos humanos. As principais lideranças foram isoladas no RDD (regime disciplinar diferenciado), porém, em abril de 2017, a inteligência da SAP verificou que outro grupo de presos estava enviando, por meio de visitantes e advogados, “salves”. A pasta estadual instalou telas nos canos de esgoto, conseguindo assim resgatar os bilhetes rasgados pelos envolvidos.

 

 

 

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