Cartório de Prudente registra 1º semestre com mais óbitos e menos nascimentos da história

Nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco na cidade, situação que altera a demografia de forma nunca vista desde início da série histórica

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 22/07/2021
Horário 14:03
Foto: Freepik
Pandemia da Covid-19 causa impacto nas estatísticas vitais de Prudente
Pandemia da Covid-19 causa impacto nas estatísticas vitais de Prudente

A pandemia da Covid-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população de Presidente Prudente. Além das centenas de vítimas fatais atingidas pela doença na cidade, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista desde o início da série histórica dos dados estatísticos do Cartório de Registro Civil em Presidente Prudente, em 2003: nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como neste ano de 2021, resultando na menor diferença já vista entre nascimentos e óbitos nos primeiros seis meses do ano.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do país, administrada pela Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Em números absolutos, o cartório de Presidente Prudente registrou 1.571 óbitos até o final do mês de junho. O número, que é o segundo maior da história em um primeiro semestre, é 27,9% maior que a média histórica de óbitos na cidade, e 64,6% maior que os ocorridos no ano passado, com a pandemia já instalada há quatro meses em Prudente. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 58%.

Com relação aos nascimentos, Presidente Prudente registrou o menor número de nascidos vivos em um primeiro semestre desde o início da série histórica em 2003. Até o final do mês de junho, foram registrados 1.497 nascimentos, número 11,4% menor que a média de nascidos na cidade desde 2003, e 6% menor que no ano passado. Com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 11,5% em Prudente.

O resultado da equação entre um dos maiores números de óbitos da série histórica em um primeiro semestre versus o menor número de nascimentos da série no mesmo período é o menor crescimento vegetativo da população em um semestre na cidade, aproximando-se, como nunca antes, o número de nascimentos do número de óbitos. A diferença entre nascimentos e óbitos, que sempre esteve na média de 462 nascimentos a mais, ficou negativa, isto é, em 2021 foram 74 óbitos a mais do que nascimentos, uma redução de 116% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, a queda foi de 111,5%. Já em relação a 2019, foi de 110,6%.

"Com o Portal da Transparência, podemos visualizar a real condição que a sociedade está passando, como o grande aumento no número de óbitos e a diminuição dos nascimentos", comenta Luis Carlos Vendramin Junior, presidente da Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo). "Por meio da plataforma, o poder público pode fazer uma análise dos impactos da doença e trabalhar as políticas necessárias para atendimento a esta nova realidade populacional", conclui.

Natalidade e casamentos

Embora não seja a regra, a série histórica do Registro Civil demonstra que o aumento no número de casamentos está diretamente ligado ao aumento da taxa de natalidade em Presidente Prudente, o que deve fazer com que os nascimentos ainda demorem um pouco a serem retomados, já que no primeiro semestre de 2021 a cidade registrou o segundo menor número de casamentos desde o início da série histórica em 2003.

Embora 34,9% menor que a média histórica de casamentos no primeiro semestre em Presidente Prudente, o número de matrimônios em 2021 mostra uma recuperação em relação às celebrações do ano passado, fortemente impactadas pela chegada da pandemia, que adiou cerimônias civis em virtude dos protocolos de higiene necessários à contenção da doença. Até junho deste ano, o cartório celebrou 501 casamentos civis, número 35,8% maior que os 369 matrimônios realizados no ano passado, mas ainda 36,4% menor que os 788 casamentos celebrados em 2019.

A Arpen

Fundada em fevereiro de 1994, a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo representa os 836 cartórios de registro civil que atendem a população em todos os 645 municípios do Estado, além de estarem presentes em outros 169 distritos e subdistritos, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, casamento e óbito.

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