Chaplin

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista chapliniano que brinca em serviço

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 26/08/2021
Horário 05:30

Quando era menino, Charles Spencer Chaplin tinha medo de passar privações, incluindo aí o medo da fome. Depois que o pai se separou da mãe - ou teria abandonado a família por causa do alcoolismo -, a situação da família se complicou ainda mais. Chaplin, o irmão e a mãe não tinham o que comer.
O garoto Chaplin saía pelas ruas do bairro onde morava em Londres à procura de comida. A fome era tanta que ele recolhia restos de comida das lixeiras. Durante algum tempo assim foi a infância de Chaplin no começo do século passado. Maior pindaíba e a gente reclama de abdômen cheia.
Alguns críticos o consideram o maior artista do cinema e também acham que ele é um dos pais da chamada Sétima Arte, junto com os irmãos Lumière e D.W. Griffith, o diretor dos filmes  "Intolerância" e "O Nascimento de Uma Nação".
Com o personagem Carlitos, Chaplin foi o artista mais popular do mundo na década de 20, quando produziu "O Garoto" (1921), "Em Busca do Ouro" (1925) e "O Circo" (1928). 
Na década seguinte, fez "Luzes da Cidade" (1931) e "Tempos Modernos" (1936), sendo que neste último Carlitos apareceu pela última vez no cinema, embora o barbeiro judeu de "O Grande Ditador" (1940) também lembre o personagem.
O final, o famoso The End,  de "Tempos Modernos" é talvez o mais bonito do cinema. Carlitos encoraja a mulher (Paulette Goddard), triste com as adversidades, e pede a ela que coloque um sorriso nos lábios. E o casal caminha por uma estrada ao som da canção "Smile".
Um cientista ilustre estava na estreia de "Luzes da Cidade": era Albert Einstein. Isso dá uma ideia da importância de Chaplin, um artista que tinha lado: ele arriscou o pescoço por causa de suas posições sociais e políticas. Por isso, foi perseguido pelo FBI de forma implacável. O governo americano achava que ele era comunista. Chaplin foi morar na Suíça.
Durante a década de 40, Chaplin, com Carlitos aposentado, produziu "Monsieur Verdoux" (1946), uma versão sobre a lenda do Barba Azul, que matava mulheres ricas para ficar com a grana. Na década seguinte, mais dois sucessos: "Luzes da Ribalta" (1952) e "Um Rei em Nova York" (1957).
O cômico Buster Keaton contracena com Chaplin em "Luzes da Ribalta", cuja música, "Limelight", ficou famosa e teve versões mundo afora. Chaplin compôs a canção. A perseguição sofrida nos EUA é abordada com ironia em "Um Rei em Nova York". Ele considerava "Em Busca do Ouro" o seu filme favorito. Um dos destaques desse filme é a dança dos pãezinhos, uma ideia sensacional. Simples e funcional. Coisa de gênio.
Ainda sobre o Chaplin compositor, a canção "Smile" foi gravada por dezenas de cantores, incluindo Nat King Cole e Michael Jackson, orquestras etc. É talvez a música mais otimista do mundo ao lado de "Imagine", de John Lennon, e "What a Wonderful World", sucesso de Louis Armstrong. "Não vale a pena chorar, sorria mesmo com o seu coração partido", diz um trecho da letra de "Smile'.
Chaplin era um mulherengo de carteirinha. Não podia ver rabo de saia, com preferência pelas Lolitas, e se gabava do tamanho, digamos, do seu "aparelho reprodutor". "É a oitava maravilha do mundo", dizia, referindo-se ao tamanho avantajado do bilau, enfim, do "pé de mesa".
Se alguém merece o epíteto de artista completo, esse alguém é Charles Chaplin. Não faz muito tempo centenas de suíços se vestiram de Carlitos para homenageá-lo. Mais do que merecido.

DROPS DO CHAPLIN

A persistência é o caminho do êxito.

A vida é maravilhosa quando não se tem medo dela.

Necessitamos mais de humildade que de máquinas.

O som aniquila a grande beleza do silêncio.

Haverá sempre esperança para quem não se envergonha de seus erros.
 

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