Colecionar e trocar figurinhas vai muito além da brincadeira

Psicóloga e neuropsicóloga, Joziane de Paula Cornetti, aponta que o ato envolve fatores psicológicos profundos ligados à memória afetiva, ao sentimento de pertencimento e à necessidade de desacelerar em um cotidiano dominado pelas telas

Esportes - Cassia Motta

Data 05/07/2026
Horário 06:10
Foto: Cedida
Joziane: “Colar figurinhas e categorizar diminui a ansiedade, pois liga o foco no preenchimento e controla pensamentos intrusivos“
Joziane: “Colar figurinhas e categorizar diminui a ansiedade, pois liga o foco no preenchimento e controla pensamentos intrusivos“

A psicóloga e neuropsicóloga, Joziane de Paula Cornetti, de Presidente Prudente, declara que essa interação social, na troca de figurinhas, é muito positivo. “Estimula a comunicação e a empatia através da negociação nos pontos de troca, também ajuda a lidar com o ‘não’, exercita a gratificação adiada. Colar figurinhas e categorizar diminui a ansiedade, pois liga o foco no preenchimento e controla pensamentos intrusivos. O lado negativo vem do custo para preencher o álbum, as figurinhas raras normalmente não são trocadas”.

Joziane ressalta que essa “febre” pela troca de figurinhas e completar o álbum, principalmente entre jovens e crianças, faz com que eles saiam um pouco da tela do computador, do celular. “Funciona como um equalizador social, cria um assunto comum e facilita a interação com outras pessoas”.

Sobre o fato desse tipo de coleção entre diferentes gerações, Joziane diz que o álbum funciona como uma ferramenta de saúde mental intergeracional. “Os mais jovens trazem a agilidade visual e os mais velhos entram com a experiência, o afeto, o investimento financeiro, assim unindo em um objetivo toda a família”.

Benefícios da atividade

Joziane diz que para a neuropsicologia, esse tipo de atividade em diferentes gerações é um treino cognitivo para todas as idades. “Para os mais novos, ajuda a desenvolver o raciocínio lógico, a organização e a paciência [funções executivas]. Para os adultos, funciona como um exercício de atenção, memória de trabalho e manutenção da agilidade mental”.
Para o idoso, ativa a memória de longo prazo ao relembrar e contar histórias de Copas passadas. É a reserva cognitiva e memória. “Esse esforço de resgatar memórias e explicar contextos ajuda a proteger o cérebro contra o declínio cognitivo”.

Regulação emocional

A expectativa de abrir os pacotinhos estimula, segundo Joziane, o sistema de recompensa (dopamina). “Quando vêm repetidas, a presença e o suporte dos adultos ajudam a criança a lidar com a frustração e a desenvolver resiliência”.

Além disso, o vínculo afetivo e a empatia estão ligados ao processo de negociar e colar as figurinhas juntos, o que estimula a empatia [entender a perspectiva do outro] e libera ocitocina, o hormônio que reduz o estresse, combate o isolamento nos mais velhos e gera segurança emocional nos mais novos. 

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