Mantida pela Associação de Desenvolvimento de Crianças Limitadas, por meio de recursos provenientes da prestação de serviços de convênios com as secretarias municipais de Saúde, através do SUS (Sistema Único de Saúde); Educação, por meio da Escola de Educação Especial; e Assistência Social, bem como também eventos beneficentes realizados com a comunidade, a Lumen et Fides, localizada em Presidente Prudente, atende 85 pacientes com TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Assistente social da entidade há cerca de três anos, Aline Campos Duarte, explica que três tipos de serviços são prestados pela Lumen: além das terapias, a parte de educação conta com cerca de 48 pacientes, além dos atendidos pelo CER (Centro Especializado em Reabilitação).
“Nós temos as terapias, normalmente fonoaudióloga, psicóloga, fisioterapia, terapia ocupacional, serviço social e a enfermagem que acompanha também. Então, dentro da fisioterapia, a gente tem vários tipos de PediaSuit e TheraSuit”, explica, sobre os protocolos de fisioterapia intensiva para reabilitar crianças e adultos com desordens neuromotoras.
“Hoje, qual que é a maior dificuldade do autista? É a interação social, é a parte sensorial dele, então a gente trabalha mais a questão comportamental e a inserção mesmo na sociedade. Às vezes o paciente não fala, mas é uma questão comportamental, por exemplo”, esclarece Aline.
A assistente social considera que é perceptível que o autismo está mais presente na sociedade atualmente e isso se dá especialmente pelo acesso às informações sobre o transtorno. “Hoje a gente percebe que o autismo está aumentando, sim, mas por conta realmente dos diagnósticos. Antigamente, a gente tinha muito diagnóstico tardio, principalmente do paciente de nível de suporte 1, que até passava despercebido. É aquele paciente que vai empurrando e mesmo assim consegue trabalhar, fazer as coisas, e aí, quando percebe ele tem esse diagnóstico super tarde”, alerta.
“Então, por isso que hoje falamos tanto da importância do diagnóstico precoce, que é o que a gente tem lutado, principalmente dentro do SUS, porque a gente sabe que a maior dificuldade é ter esse atendimento, porque são poucas clínicas, são poucas instituições que atendem o TEA hoje. Mas, para esse paciente começar, ele precisa do diagnóstico, ele precisa começar muito cedo”, salienta a assistente social.
“O que eu sempre falo aqui para as famílias: não pode se esconder, tem que levar para a sociedade, para que as pessoas conheçam, então a gente tem que falar sobre o assunto, tem que fazer com que eles estejam incluídos, para que todo mundo possa observar e reconhecer. Porque eu sempre falo: o autista é a questão do desenvolvimento, tem que observar todas as fases”, orienta a profissional.
De acordo com Aline, considerando a pessoa autista, o que se propaga na Lumen, enquanto serviço social, é orientar intensamente sobre a legislação. “O autismo não é uma doença, porque ele não tem cura. É um neurodesenvolvimento, então, ele funciona, é um funcionamento diferente, e a gente precisa aceitar que eles funcionam de uma maneira diferente”, argumenta.
“A Lei Berenice Piana vem falar bastante nisso, falar que ele tem uma deficiência e que hoje ele tem direitos, que é essa acessibilidade, essa inclusão social. O autista ele pode tudo, ele pode fazer tudo, só que ele precisa de tratamento, ele precisa desse olhar, ele precisa que as leis estejam mesmo olhando para ele, para que ele possa conseguir se desenvolver de verdade”, frisa a assistente social.
Aline ressalta que, para que a pessoa autista consigo se desenvolver, a inclusão dentro das escolas, bem como no mercado de trabalho, precisa acontecer de forma efetiva. “Hoje a gente tem exemplos de autista que começaram aqui com a gente criança e já são adultos. Então, hoje a gente já está falando de inclusão dentro do mercado de trabalho. Então assim, é possível, sim, com tratamento. Claro que eles vão ter as dificuldades deles, as limitações, mas hoje em dia o mercado de trabalho também tem que adaptar”, aponta.
“É preciso ter um trabalho integrado da sociedade, da instituição, da escola, da família, que é o que a gente mais faz aqui. Só esse trabalho, conjunto, para que ele alcance os seus objetivos”, finaliza a profissional.
Mellina Dominato

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