Covid-19: mortes de pessoas mais jovens chamam atenção

Nas últimas semanas, quatro pessoas da faixa etária entre 21 e 26 anos, na região, vieram a óbito após contrair a doença

REGIÃO - THIAGO MORELLO

Data 15/09/2020
Horário 07:00
Arquivo - André Pirajá: “Ser jovem ou saudável não é uma garantia”
Arquivo - André Pirajá: “Ser jovem ou saudável não é uma garantia”

Com o desdobramento da pandemia da Covid-19, e dia a dia conhecendo mais o novo coronavírus, alguns parâmetros foram traçados, no que tange à ação da doença no organismo. Logo de início, grupos de riscos foram alertados para que pudessem se prevenir ainda mais, como idosos, pessoas com comorbidades, diabetes, que além de estarem mais suscetíveis à patologia, podem desenvolver um quadro mais grave, chegando até mesmo à morte. Na região de Presidente Prudente, esse grupo é o que mais representa os mais de 285 óbitos existentes. Mas nas últimas semanas, a morte de pessoas mais jovens tem chamado a atenção.
No final de agosto, quatro pessoas na faixa etária de 20 a 30 anos entraram para as estatísticas, como as vítimas mais jovens da região. Em Prudente, uma delas foi um rapaz de 26 anos; mesma idade de uma mulher que faleceu em Martinópolis; ao passo que um homem de 24 anos, morador de Álvares Machado, também faleceu; e um jovem de 21, em Dracena, sendo o mais novo de todos.
Qualquer vida perdida é digna de luto e gera uma comoção, pois como dizem, quem parte sempre será o amor da vida de alguém. O pai, a mãe, o filho ou filha de alguém. Mas quanto mais nova a pessoa, mais as pessoas ficam surpresas. Porém, segundo o infectologista André Pirajá, um cenário como esse não é tão surpreso assim. De acordo com ele, apesar de existirem grupos com fatores mais suscetíveis à Covid-19, “qualquer pessoa pode contrair a doença”.
“Ser jovem ou saudável não é uma garantia. A gente trabalha com a teoria de que todos ou uma grande parte da população vai contrair o vírus. Desse número, uma pequena parte vai adoecer. E dessa parte, um grupo menor ainda vai precisar de um tratamento mais específico na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], correndo o risco de chegar ao óbito”, completa o especialista.
E é claro, conforme Pirajá, que a probabilidade desse óbito ocorrer com alguém é maior se for associada com outras questões, como doenças crônicas, por exemplo, independentemente da idade. Parte dessas vítimas que morreram jovens na região se enquadrava nesse cenário.

Preocupação com os assintomáticos

O que gera uma preocupação, ainda de acordo com o médico, são os assintomáticos, que podem estar contribuindo, de forma silenciosa, para ampliar esse cenário. “Daí que vem a importância de todos fazerem o isolamento social. Não há uma regra de como o vírus vai agir em cada corpo. O melhor remédio ainda é evitar o contato e, assim, a proliferação”, finaliza.


 

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