Desafios de meio de ano

OPINIÃO - Wilson Roberto Lussari

Data 04/06/2026
Horário 04:30

Chegamos a junho e a primeira coisa que vem à cabeça é que estamos no meio do ano. Seja por questões pessoais ou empresariais, a entrada de junho é um marco na estratégia de cada um. No caso das empresas, tivemos um começo de ano bastante incerto e com diversos empresários alegando que não vendiam, que não tinham dinheiro, etc.
Em época de crise política e econômica, muitos evitam de pagar para ver, pois as incertezas são maiores do que as convicções. Em um ano de Copa do Mundo de Futebol, eleições, juros altos, aperto financeiro, conflitos externos, competição acirrada, entre outros, deixa de cabelos em pé qualquer empresário.
Entretanto, a ausência de tomada de decisão também é uma decisão. E das piores. Quando o empresário não se decide fazer e esperar o desdobramento dos eventos, ele está sinalizado que não tem projeto, planejamento, nem um plano de contingência. E esta é a pior situação.
Conversei com diversos empresários nos últimos três meses e a queixa de baixas vendas, fuga de clientes, dificuldade em vender, mesmo tendo bons produtos e serviços, foi constante. Por incrível que pareça, eram produtos e serviços imprescindíveis aos clientes deles. Sejam consumidores finais, sejam insumos para seus processos produtivos.
O que ficou evidente é que há um certo transe coletivo, onde todos ficam esperando algo acontecer, sem saber o que, tentando encontrar sentido em sua expectativa. Este comportamento é constante em todos os momentos de crise. Já presenciei diversas.
E o inevitável acaba acontecendo: chega o meio do ano, percebe que nada mudou e que tem de fazer alguma coisa em casa, para enfrentar o resto do ano. Quando eu postergo uma decisão, o problema é meu e terei de arcar com as consequências, boas ou ruins. Quando o empresário posterga uma decisão na empresa, ele, os colaboradores, os fornecedores e seus clientes arcam com as consequências, boas ou ruins.
Assim, o meio do ano para o empresário não é mais um momento de decidir e planejar, é um momento de avaliar o impacto de suas decisões ou omissões no primeiro semestre. 
Planejar junho, não muda o cenário do semestre acabando. Planejar para o segundo semestre é uma tentativa de mitigar as decorrências. Agora é hora de fazer três tarefas de casa: Agir em junho, recuperar o primeiro semestre no segundo semestre, e planejar de fato 2027.
Afinal, não é justo comprometer quem depositou confiança em sua empresa com as decisões erradas ou equivocadas, que arcam com ônus os quais não tiveram participação.
 

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