Desejar Deus com intensidade

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 11/07/2021
Horário 05:00

Pelas ruas da cidade, chinelos nos pés e cabelos compridos, um jovem caminha. Nos seus profundos olhos brilha um sonho, no seu coração um ideal: deixar sua pequena cidade e pegar o caminho que leva às montanhas. Não interessa o que os outros pensam, ele está decidido a buscar o “guru”, o velho “mestre espiritual” que habita bem além das montanhas. Seu nome: Esoj. Seu sobrenome: Nomar, oculta uma família burguesa. Ele acaba de abandonar o luxo e a riqueza da casa paterna para se dirigir às montanhas. Passaram os dias, as noites, o frio e o calor, a chuva e o sol. As pedras feriram seus pés, seu corpo com fome e sede, estava fraco... Sua língua seca acomodava-se quieta, sem nada balbuciar...
Finalmente, numa bela manhã, chega exausto a um verde vale florido, por onde corre um rio de águas limpas e cristalina. Esoj Nomar sorri. Acaba de ver a palhoça do velho santo, o famoso “mestre espiritual” que habitava lá, dedicado à contemplação e à oração. O coração do jovem deu um pulo de alegria quando vislumbrou, à sombra da palhoça, a figura ascética do “guru”. E pôs-se a correr... — Mestre, mestre! Faz dias e noites que caminho ao seu encontro. Desejo imensamente que me fale de Deus. O velho fitou-o com amor. Pegou um cântaro de água fresca e o deixou nas mãos de Esoj. Este, sedento, bebeu até saciar-se. — Mestre, por favor, fala-me de Deus... Eu vim para escutá-lo!
O velho sorriu e, diante da insistência do jovem, levantou-se lentamente e caminhou para o rio. Chegando à margem disse: “Mergulha teu corpo na água” e num piscar de olhos o jovem se encontrou na água. O mestre o seguiu e pegando-o pela cabeça, manteve-o debaixo da água, à força. Depois do moço se debater de todos os modos e quando seus pulmões estavam quase para explodir por falta de ar, o mestre o largou. Em seguida, perguntou-lhe: “De que tinhas mais vontade quando estavas quase a afogar-te?”
— De ar, de ar! Respondeu fatigado, o discípulo. — Pois bem, até que não desejes Deus com a mesma intensidade, eu não lhe poderei falar dele! O “guru” voltou as costas indo para a sombra de sua “palhoça“.
Todos somos peregrinos “nas estradas do mundo rumo ao céu”. Buscamos a Deus. Desejamos encontrar a plenitude da vida, Aquele que a tudo dá sentido e vigor. Cada pessoa faz sua própria peregrinação. Não há formatação de ação para todos agirem da mesma forma; cada qual ao caminhar vai descobrindo-se e assimilando o caminho. Mas ninguém está sozinho, e é bom ter um experiente para nos orientar no percurso. Busquemos Deus e orientação no caminho para Ele. 
Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!
 

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