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Desporto e lusofonia

António Montenegro Fiúza

«Viver é treinar e treinar é quase vencer»
Professor Moniz Pereira

À partida, a menção da palavra lusofonia evoca literatura, texto, comunicação, educação; evoca viagens e conhecimento. Mas faz-se necessário pensar o ser humano de uma perspectiva holística: em todas as suas facetas e dimensões, relembrando-nos da saúde física e da mental, do desenvolvimento social e emocional; é preciso que se pense no esporte e no seu papel na educação, bem como o seu lugar na lusofonia.
O esporte tem sido visto como uma atividade complementar ao desenvolvimento intelectual, tendo lhe sido concedido um papel secundário, no âmbito da educação; no entanto, tal posição não poderia ser mais injusta. A prática regular de atividades físico – esportivas permite e incentiva o desenvolvimento da inteligência interpessoal, da intrapessoal e da corporal – sinestésica, tão importantes quanto a lógico – matemática ou a verbo – linguística. 
Quer seja praticada em modalidades individuais ou coletivas, de baixo ou alto impacto, propicia a aquisição de valores cívicos, do sentimento de pertença, da cooperação, do empenho e da disciplina. Um outro aspecto que pode ser realçado é o da multiculturalidade no esporte e nesse ponto, a lusofonia apresenta-se como um forte estandarte pois e graças à partilha de uma língua comum, foi possível criar movimentos e eventos esportivos de grande dimensão, como sejam, os Jogos da Lusofonia e os Jogos da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa. 
Os primeiros, sob o mote “Unidos pelo Desporto”, lograram ser um símile dos Jogos Olímpicos, com competições de várias modalidades esportivas, integrando não apenas os países de língua oficial portuguesa, mas também, a Guiné Equatorial, a Índia e o Sri Lanka, que apresentam fortes traços da presença lusitana, com perpetuações de variantes linguísticas até ao presente. Os segundos viram a sua mais recente edição ocorrer no ano de 2019, na Ilha do Sal – Cabo Verde, com a participação de jovens de todos os países da lusofonia, competindo nas modalidades de andebol, atletismo, atletismo para portadores de deficiência, basquetebol, futebol, tênis e voleibol de praia.
E uma vez que falamos do esporte lusófono, ou desporto, como se diz nos restantes países, é obrigatório referenciarmos e prestarmos a devida homenagem  ao saudoso professor Moniz Pereira, quem conseguiu aliar a composição musical ao atletismo: dono de um currículo invejável enquanto atleta e treinador, e que logrou ser autor de mais de 110 temas musicais, os quais foram interpretados por figuras de renome como Amália Rodrigues ou Carlos do Carmo.
O erudito professor foi a prova viva da importância do esporte no desenvolvimento individual, de comunidades e de culturas, tendo destilado sabedoria e conhecimento na área em questão, ensinando e impactando várias gerações e cujo trabalho pode ser sentido por todo o mundo lusófono. 
 

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