Diário do caos. O grito da dor!

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Data 11/04/2021
Horário 04:00

São Paulo sai da fase emergencial e avança para a fase vermelha a partir de amanhã, com isso muitos entendem que “tá tudo liberado”. Não. Não está. Nem tão cedo. Se depender da ação de uma parcela(nem tão pequena assim) da comunidade, a pandemia estará longe, mas muito longe do fim.  
Não adianta as pessoas ouvirem nos noticiários os recordes de mortes diários. Na verdade, acredite, na maioria entra por um ouvido e sai pelo outro. Isso mesmo. Já ouvi indivíduos desacreditando de médicos em entrevistas na TV em lágrimas, ou com discursos desesperados pelo caos que estavam(estão) vivendo. Sinceramente, tem horas que a vontade é de esquecer a compostura, a educação e dar uma de louca(o) e dar uns berros. Mas de nada vai adiantar a não ser perder a razão e ainda arranjar, provavelmente, um baita problema, com um ser desses.
Pois bem, todos deveriam assistir a um vídeo postado na quinta-feira, no Instagram de um dos infectologistas mais respeitados de Presidente Prudente, André Luis Pirajá, para sentir a realidade nua e crua bem no quintal de casa. Ouvir o relato de um profissional que está na linha de frente diariamente, de que não consegue descrever o sentimento de fato da dor terrível que tem presenciado.
Quem conhece este médico sabe da seriedade com que ele trabalha, da sua sensibilidade como médico e principalmente como pessoa, como ser humano. Então acredite. Procure ter acesso a este vídeo e ouça o relato que o Dr. Pirajá expôs. Por cima adiantamos aqui seu relato: um pai e um filho foram internados, com Covid-19, separados por leitos diferentes e ele cuidou de ambos. O filho teve uma evolução pior, precisou de terapia intensiva, foi intubado e a li ficou. Em estado extremamente grave, limítrofe para intubação certo dia Dr. Pirajá precisou dizer ao pai o quanto ele se encontrava no limite do que ele podia fazer e se não melhorasse não teria outra alternativa se não intubá-lo. Ele foi totalmente compreensivo, fez tudo que precisava e milagrosamente, três, quatro dias depois seus exames estavam normais e este pai recebeu alta.
Conversando com um grande colega também médico, este disse ao Dr. Pirajá que já não aguentava mais ver tantas mortes. E naquele momento lhe falou do paciente tal que havia falecido e ao irem até outra unidade para ver se tinha outro paciente para ser admitido na UTI deram de encontro com a família. Com a mãe e o pai(aquele que milagrosamente teve alta) daquele jovem de 34 anos. Naquele momento, aquele pai gritou, chorou, e amparado pela esposa ajoelhou-se em desolação. Dr. Pirajá olhou e seu amigo que não aguentava mais ver tantas mortes soluçava de tanto chorar, assim como a enfermeira. Ele então tentava consolá-los com uma palavra de alento, de amor, tranquilidade, fé e esperança para aquela família cristã. “Para o cristão viver é Cristo e morrer é lucro. Mas o quão é difícil perder um filho. O quão é difícil perder um pai. O quão é difícil se separar de um amor. Esses são os gritos, os gemidos da dor. Que isso passe logo. Não tenho outra coisa a dizer a não ser o meu silêncio. O meu respeito a cada família, a cada vítima da Covid-19”, Dr. Pirajá.
 

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