Doutor Sócrates

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista que não contém glúten

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 07/12/2021
Horário 05:30

Sócrates dizia que o futebol desviava a atenção do povo para os problemas mais sérios, como a fome e o desemprego, para citar dois exemplos. Pois é, seria o futebol mais um ópio do povo? Parece que sim e Sócrates afirmava que os donos do poder - as zelites, como dizia João Ubaldo Ribeiro - sabem que o futebol também é circo. 
Circo sem pão. Em suma: o futebol é usado para desviar a atenção dos problemas citados acima. Além de bater um bolão, Sócrates era um ativista político e estava certo. Foi um dos porta-vozes da campanha das Diretas Já em meados dos anos 80 do século passado.
A exemplo de Maradona, Sócrates estava do lado certo da história. Alguém duvida? Se expôs politicamente e deu a cara pra bater. Desiludido com a derrota da emenda Dante de Oliveira, que restabelecia a eleição para presidente da República, Sócrates se mandou. 
Foi morar na Itália. Jogou uma temporada na Fiorentina, depois de brilhar no Corinthians e na inesquecível Seleção do Telê Santana, em 1982. O Brasil dançou no jogo contra a Itália, do "carrasco" Paolo Rossi. Uma pena até porque aquela Seleção jogava bonito pra cachorro. Encantou o mundo.
Durante uma entrevista, Sócrates foi perguntado sobre o Paulo Henrique Ganso, que brilhou no Santos. Um repórter pediu para ele comparar o futebol dos dois.
"Ele joga melhor do que eu", respondeu Sócrates. Com tal resposta, penso que ele foi humilde, diplomático e elegante. Isso porque Sócrates jogava muito mais do que o Ganso, que anda meio sumido e vai ver virou marreco, deixando de ser o "10" que a torcida esperava dele.
Dez anos sem o doutor Sócrates. Ele deixou sua marca no mundo. Basta visitar a sede do Corinthians. Faz uma falta danada. Um grande ser humano. Opinião de um torcedor do Santos e, por falar nisso, torcedores esclarecidos de outros clubes, como São Paulo e Palmeiras, também admiravam o doutor Sócrates, uma lenda do futebol brasileiro.  

DROPS

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