Economia 2021

OPINIÃO - Walter Roque Gonçalves

Data 23/01/2021
Horário 04:30

O presidente Jair Bolsonaro, no dia 5 de janeiro, ao sair do Palácio da Alvorada, disse a simpatizantes que “o Brasil está quebrado” e que não “consegue fazer nada”. Como exemplo, citou a mudança na tabela do imposto de renda, uma promessa de campanha que ainda não saiu do papel. No dia seguinte, ele contrapôs a afirmação ao dizer “o Brasil está bem, está uma maravilha”. As falas do presidente demonstram bem as incertezas que vivemos no momento.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, defende que a recuperação do país será tão forte quanto a queda, e projeta um crescimento de 3,2 % este ano. Contudo - serão decisivos - a aplicação da vacina na população e ao ajuste fiscal, que desde 2014 tem fechado no vermelho, a tendência é a situação prevalecer até 2026, segundo a empresa de projeções financeiras Morgan Stanley. Por isto, o ex-secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, diz que “o Brasil não pode abrir mão de R$ 1 de receita e ainda tem de se esforçar para recuperar (...) a receita que perdeu com a crise da Covid-19”.

O Brasil precisa de ações que evitem colapso das contas públicas e não das politicagens que infelizmente ainda presenciamos

Guilherme Shauffert, em vídeo numa plataforma de streaming na internet, analisa o Relatório Quadrimestral da Dívida Pública de julho de 2020. Segundo Shauffert, as projeções são importantes, mas consideram parâmetros que dificilmente se concretizarão. Por exemplo, no cenário mediano, o dólar precisará se manter na faixa de R$ 4,95 nos próximos dez anos, hoje dia 22 janeiro está R$ 5,45. A situação é delicada e precisará de muitos esforços para sair da tendência de quebradeira. 
O equilíbrio das contas públicas é um grande desafio, pois desde 2014 o governo tem gastado mais do que arrecada. Com isto, os níveis de endividamento têm aumentado ano após ano. Com a pandemia, a situação se agravou e o endividamento bruto saltou para 96% do PIB (Produto Interno Bruto). O Brasil precisa que a vacina imunize a população e de ações que evitem colapso das contas públicas e não das politicagens que infelizmente ainda presenciamos. Sabe-se que o país está longe de ser uma maravilha econômica, mas quebrado – ao menos por enquanto – também não está! 


 

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