Engajados e isentões

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 25/05/2021
Horário 06:00

A escritora, apresentadora e produtora de TV, Rita Lobo, tem causado barulho nas redes sociais e não é pela competência na cozinha. Ela aumentou o posicionamento político de maneira bem incisiva em três situações recentes: a primeira quando o presidente do Brasil chamou de idiotas algumas pessoas que insistiam ficar em casa. Depois, com a operação da Polícia Federal contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles; e por fim, com o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello na CPI da Covid. Tudo semana passada. Nos três casos, Rita e equipe trabalharam com trocadilhos bem-humorados, inteligentes e posicionamentos bem diretos nas receitas, especialmente no Twitter, a rede onde as discussões políticas rolam com mais frequência. Na verdade, não foi nada que Rita Lobo já não fizesse, mas viralizou ainda mais agora por conta do clima polarizado. 
Não demorou para ela ser, claro, cancelada por uma parte raivosa, mas também crescer muito junto a quem espera de fato que nomes como o dela se coloquem no jogo político, econômico e social do país.
E ela está bem certa em se posicionar e reafirmo o que já disse aqui: liberte-se! Há um mundo maravilhoso te esperando nas redes sociais e fora dele sem que você tenha que ficar se escondendo! Quero dizer que a internet gosta de pessoas autênticas e a comunidade que se forma em torno do seu perfil não está ali à toa. Alguns sim, caíram de paraquedas, mas a grande maioria te segue pelo que você é e vou contar um segredo: elas querem que você se exponha mais e esteja mais ao lado delas do que de quem não está na sua vibe!
E de volta ao caso Rita Lobo, todos nós temos públicos, mas alguns possuem mais relevância neste quesito e ao mesmo tempo devem ter responsabilidades maiores. Para mim, não tem nada mais mesquinho e irrelevante do que personalidades que parecem viver em um mundo de fantasia nas redes sociais e evitam a todo custo entrar em “questões delicadas” como dizem. 
No programa “Altas Horas” de sábado (22/05), ficou claro que para Cláudia Leite o caminho é pacificar tudo e esperar que pessoas encontrem luz por aí. Quando Serginho Groisman perguntou a ela sobre qual era sua indignação, a cantora disse: “A minha indignação? Eu tenho um coração pacificador. Eu me indigno, sou capaz de virar tudo pelo avesso, chutar as barracas, mas eu acho que todo mundo tem um lugar onde pode brilhar uma luz para desfazer o que está acontecendo. E se essa luz se acende, obviamente, não vai ter escuridão.” Oi? Não entendi a gratiluz. 
Enquanto isso, Ana Maria Braga, padre Júlio Lancelotti e Débora Secco, quando chamadas para dizer se estavam indignadas, não perderam tempo em se posicionar com as desigualdades deste país e a normalização das piores coisas como a falta de vacinas e as mentiras e descasos recentes das autoridades públicas em relação à pandemia.  
“Ah, mas e os patrocinadores? Eles que não deixam artistas e personalidades se posicionarem”. Bem, cada um sabe onde aperta o calo. 
Mas a questão é que, com a entrada cada vez maior de celebridades nas discussões políticas, o sarrafo só aumenta e se a pessoa é uma personalidade forte, deseja agir ou se posicionar, mas se submete a pressões financeiras/comerciais ou políticas, pode ser sinal de que não é tão grande assim. 
Há tempos que pesquisas sinalizam que os públicos não são mais tão passivos diante dos acontecimentos e ao mesmo tempo esperam sim que marcas e personalidades se coloquem junto com eles na linha de frente das principais causas sociais. 
E aí? O que acha? As personalidades estão sendo justas com a gente?
 

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