EUA em Chamas

O Espadachim, um cronista a favor do tigre e do trigo

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 05/06/2020
Horário 05:30

Se existe a figura do brazilianista, que é o americano que estuda o Brasil - e me lembro do Thomas Skidmore -, existe também o americanista, que pode ser o brasileiro que estuda os EUA. Evidente que não tenho a pretensão de ser um americanista, mas o que acontece por lá me interessa sobremaneira.

A coisa está feia por lá, uma situação de fazer vaca não reconhecer o bezerro. Também com aquele presifake maluco não poderia mesmo ser diferente. Trump é um covarde. Foge do povo, como o vampiro foge do alho. Ele se escondeu no bunker da Casa Branca, levado para lá pelo serviço secreto. Hitler também se escondia em um bunker.

Por que não convidou uma comissão de manifestantes para dialogar com eles? Porque tem medo do povo, sente nojo do povo. Boa parte desse povo vive numa situação de penúria.

Sei que pode parecer estranho, mas é preciso lembrar que ao menos 53 milhões de americanos vivem abaixo da linha da pobreza no país mais rico do mundo. Com a pandemia de Covid-19, esse número cresceu muito nos últimos meses. Triste demais.

Além das manifestações contra o racismo, uma chaga no país, os americanos também vão às ruas para exigir melhores condições de vida e já contam com o apoio da polícia. Trump mente quando fala em orquestração dos protestos. É um grito que estava parado na garganta e que explodiu nas maiores cidades, como Nova York, Los Angeles e Minneapolis.

Brancos e negros protestam de forma espontânea, o que significa que não há líderes. Truculento e aberto ao monólogo (diálogo não é com ele), Trump está convicto de que existem líderes e, claro, são "perigosos" comunistas, marxistas, esquerdistas e outros "istas". Isso não está confirmado, mas o "imperador do Norte" e dono do mundo insiste em bater nessa tecla.

As pessoas, aqui e em qualquer país, querem viver melhor e, para isso, necessitam do básico, como moradia, saúde e educação. Ou teto, trabalho e terra, no dizer do papa Francisco, que Trump não engole nem com azeite extravirgem do Mediterrâneo.

As desigualdades sociais só aumentam, com o 1% mais rico sendo dono de quase tudo, e a revolta latente pode explodir a qualquer momento. Armas destrutivas potentes e cães ferozes, que Trump ameaçou usar, não intimidarão a turba em fúria.

Tenho grande simpatia pelos EUA e reconheço que a minha formação cultural, se é que posso me expressar assim, é quase toda americana. Admiro o cinema americano, embora esteja "esquisito" atualmente, a música, que também não anda bem das notas, a literatura e o ensino superior. O país tem grandes universidades.

 No tocante à música, penso que o jazz é a maior contribuição cultural dos americanos ao mundo. A maior prova da influência do jazz (para lembrar o samba do Carlos Lyra) é que em qualquer país há bandas de jazz, até mesmo naqueles países da outrora chamada cortina de ferro.

Um país importante que na maioria das vezes teve presidentes reacionários, que, com uma política externa deplorável, se consideravam xerifes do mundo. Os melhorzinhos foram, a meu ver, Lincoln, Roosevelt, Kennedy, Clinton e Obama, se bem que este último gostava de atacar inimigos externos com drones (Obama foi o que mais usou drones). Roosevelt foi chamado de comunista por investir no social durante a Grande Depressão.

E esse negócio de apenas dois partidos - Partido Democrata e Partido Republicano - se revezarem no poder central? Se há países com partido único, como Cuba e China, convém lembrar que tem país com apenas dois únicos partidos. Os outros 38 partidos não têm vez nos EUA.

Ainda sobre os protestos, o conselho mais sensato foi dado aos manifestantes pelo irmão do George Floyd: "Se querem mudanças, votem certo em novembro". Só faltou citar o Biden e mais não disse nem lhe foi perguntado.

DROPS

Era tão viciado em maconha que fumava até baseado em fatos reais.

E por isso que o Brasil não vai pra frente: tem gente que bota pra quebrar quando deveria botar pra consertar.

Em casa de ferreiro o espeto é de bambu.

Estamos todos no mesmo teco-teco. Será?

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