Diferenciação no mercado; garantia de procedência e padrão de qualidade; valorização da origem geográfica; aumento da competividade e valor agregado; e confiança do consumidor final são valores buscados para a carne produzida na região de Presidente Prudente, que concentra o maior rebanho bovino do Estado de São Paulo, com 1,7 milhão de cabeças. Diante disso, surge a proposta da criação de um selo de origem, apresentada no lançamento do IBIQPEC (Instituto Brasileiro de Inovação, Cultura e Qualidade do Agro e da Pecuária), estruturada como braço institucional da Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne), realizada pela primeira vez em Prudente em 2024, consolidada em 2025 e pronta para alcançar novos patamares em 2026.
O lançamento do instituto e o anúncio da proposição do selo ocorreram no “Fórum regional da carne de qualidade: o papel da Feicorte”, realizado na manhã desta quarta-feira, no Auditório Ipê, no campus 2 da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).
O evento foi organizado pelo Grupo de Estudos ReprodOeste, liderado por Caliê Castilho Silvestre e com envolvimento de alunos do curso de Medicina Veterinária e do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, com a coordenação de Cecília Laposy Santarém.
Na abertura do fórum, a líder do grupo, que trabalha com reprodução animal, definiu a Feicorte como agente transformador e aglutinador dos setores da cadeia produtiva da carne, tais como produtor, academia, indústria, poder público, comércio e assistência técnica, e apresentou os valores buscados com o selo.
Curador da Feicorte e consultor da Miya Consultoria, Alex Miyazaki apresentou dados que atestam a relevância da feira em Prudente, com forte impacto em setores da economia, entre os quais os do comércio e de serviços.
O evento teve crescimento superior a 60% de 2024 para 2025, com a visitação no Recinto Jacob Tossello passando de 10 mil para 16,5 mil, sendo 76% do Estado de São Paulo e 25% de outros Estados brasileiros e do exterior.
Visitantes com os seguintes perfis: tomadores de decisão e formadores de opinião; produtores rurais, pecuaristas e investidores do agronegócio; indústria e empresas da cadeia produtiva da carne; profissionais da área técnica, veterinários e pesquisadores.
Em 2025, participaram mais de 140 expositores, 500 animais em exposição e 10 raças bovinas numa área de 84 mil m² (8 mil m² de área coberta). Além disso, houve a oferta de 45 horas de conteúdo técnico com palestrantes nacionais e internacionais.

Foto: Homéro Ferreira - Ideia foi apresentada durante o lançamento do IBIQPEC, no Fórum Regional da Carne de Qualidade
Para Alex, a Feicorte tem como resultado colocar Prudente em posição de relevo, no nível do que a Agrishow representa para Ribeirão Preto (SP). Nesse sentido, manifestou o apelo, assim como os demais palestrantes, para que ocorra a união de todos os setores.
A diretora técnica da DGT Brasil, Liliana Suguisawa, chamou a atenção para o fato de que a Feicorte é a primeira feira brasileira a ter como foco a qualidade da carne brasileira, reforçando o entendimento da feira como agente de transformação.
Como exemplo do nível elevado de conteúdos técnicos ofertados na Feicorte, citou a participação no ano passado do pecuarista norte-americano Tommy Perkins.
Ao citar que o Brasil virou o maior produtor de carne do mundo, manifestou o entendimento de que grande parte deve-se a Presidente Prudente. “A cidade deve ser o marco da transformação da carne no Brasil”, opinou.
Na apresentação de lançamento do IBIQPEC, o professor Neimar Nagano – que integra a comissão organizadora da Feicorte – defendeu a retomada do protagonismo de Prudente no segmento pecuário.
Ao manifestar a compreensão de Presidente Prudente como a capital da carne de qualidade no Brasil, disse que o instituto foi criado para unir todos da cadeia produtiva, poder público e sociedade.
Sem fins lucrativos, o instituto tem foco prioritário na pecuária e na promoção da carne de qualidade, por meio do desenvolvimento de projetos técnicos, programas de qualificação, certificações e selos de qualidade.
São ações previstas e voltadas para a valorização da produção pecuária, rastreabilidade, sustentabilidade e aumento da competitividade em todos os setores da cadeia produtiva da carne.
O IBIQPEC – que em breve terá sua página na internet – é voltado para contribuir com o posicionamento da carne brasileira como referência de qualidade, responsabilidade e excelência nos cenários brasileiro e internacional.
Organizador da feira junto a Carla Tuccilio, a CEO da Verum Eventos, Ailton Barbosa disse que a proposta do instituto e do selo faz entender que vale a pena estar em Prudente, citando a necessidade de equipamento público de qualidade (recinto).
Sobre reconhecimento público da importância do evento em Prudente, citou que tramita na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) projeto para qualificar a Feicorte como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo, iniciativa do deputado Mauro Bragato (PSDB).
Durante o “Fórum regional da carne de qualidade: o papel da Feicorte”, alguns participantes ofertaram sugestões e a UEPP (União das Entidades de Presidente Prudente e Região) foi colocada à disposição como parceira pelo presidente Ricardo Modesto.
Também esteve representado no fórum o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), por meio do gestor de projetos Rodolfo Fachiano, que falou sobre o apoio institucional com participações nas duas edições da Feicorte em Prudente e sobre a disposição de estar junto agora em 2026.
A gerente geral e responsável técnica da Tairana Central de Inseminação Artificial, Tatiana Issa Uherara Berton, comentou que a Feicorte está consolidada em Prudente, sendo que, durante a realização do evento, a empresa recebeu profissionais das Américas e do Paquistão.
O criador de gado Mencius Abrahão sugeriu ampliar a discussão com os criadores. Marco Gambale, da empresa Pecuarizze, disse que a região concentra as maiores empresas de produção de sementes para pastagem do Brasil e da América do Sul, entendendo que devem estar dentro da Feicorte.