Exercício físico e câncer 1

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Apesar de haver muitos praticantes regulares de exercício físico, considerando a população como um todo, a prática tem diminuído em todas as faixas etárias. Simultaneamente, tem aumentado a prevalência de obesidade, doenças crônicas e casos de câncer. Será coincidência?

 

O exercicio fisico ajuda

As evidências sobre os benefícios do exercício para os pacientes de câncer têm se acumulado. Estudos experimentais e clínicos demonstram que a prática regular de exercício diminui o risco da tumorigênese (início do câncer) e inibe o crescimento do turmor. Há hipótese de que os efeitos adaptativos do exercício nos diversos sistemas fisiológicos podem controlar fatores instrínsecos (moléculas específicas) do tumor e sua progressão.

 

Qual o momento?

Estudos com alguns dos cem tipos de cânceres demonstram que os efeitos benéficos do exercício podem se fazer presentes antes, durante e após os tratamentos estabelecidos em protocolos oncológicos. Os benefícios do exercício estão relacionados com menos problemas causados pelo próprio tumor, menos efeitos colaterais e maior eficiência do tratamento anti-câncer.

 

Qual o exercício?

Para pacientes com câncer, o exercício pode ser considerado como adjuvante da terapia, pois aumenta a tolerância aos efeitos colaterais e diminui a perda de capacidades funcionais que normalmente contribuem negativamente para a qualidade de vida. Os exercícios podem ser de endurance (aeróbios) ou de resistência (anaeróbios), que devem ter duração de um treinamento para pessoas saudáveis com intensidade moderada-alta. A American Cancer Society recomenda pelo menos 150 min de exercício por semana, além da manutenção do peso corporal adequado.

 

Restrições?

Obviamente que o oncologista deve ter a palavra final, mas o exercício como terapia adjuvante, tem proporcionado melhoras clínicas, funcionais e melhor prognóstico de sobrevivência, independentemente do tipo de câncer. Efeitos adversos provocados pelo exercício no paciente com câncer são pouco comuns, porém não há estudos da prática de exercício com pacientes já em estágios avançados e debilitados. Nos demais pacientes, assim como nas pessoas saudáveis, há melhora do condicionamento físico, com consequência na mitigação dos problemas causados pelo câncer.

 

Câncer de mama

Há evidências amplas sobre o efeito positivo do exercício na prevenção, evolução a partir da tumorigênese, tratamento e condição clínica após a remoção do tumor. Os sintomas agudos e crônicos comuns do câncer de mama, tais como fadiga, alterações hormonais, perda de massa óssea, perda de massa muscular, caquexia e distúrbios psicológicos podem ser significativamente influenciados pela prática regular de exercício.

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