Fases na história dos transtornos mentais

A sociedade explicou e tratou o comportamento anormal ou fora dos padrões de diferentes maneiras em diferentes momentos. A maneira como uma sociedade particular reage à anormalidade depende dos seus valores e suposições sobre a vida e o comportamento humano. Afinal, em nossa realidade atual, o que podemos considerar normal ou anormal?  
Evidências na forma de rolo de papiro, monumentos e os antigos livros da Bíblia revelam que os antigos egípcios, árabes e hebreus acreditavam que o comportamento anormal era decorrente de possessão por forças sobrenaturais, como deuses irados, maus espíritos e demônios. Acreditavam que muitos fenômenos, tais como incêndios e inundações também eram causados por forças sobrenaturais. A abordagem típica para expulsar os demônios era usar encantamentos, preces ou poções para persuadi-los a irem embora. Em alguns casos, diversas formas de punição física, como apedrejar ou açoitar, eram defendidas como um meio de forçar os demônios para fora de uma pessoa possuída. 
A primeira tentativa de explicar o comportamento anormal em termos de causas naturais, ao invés de sobrenaturais, ocorreu quando Hipócrates (460-377 d.C.), conhecido como o pai da Medicina moderna, ensinou que o cérebro é o órgão responsável pelos transtornos mentais. Ele também sugeriu que o comportamento era governado pelos níveis relativos de quatro humores (líquidos) no corpo: bile negra, bile amarela, fleuma e sangue. Por exemplo, ele acreditava que o excesso de bile negra causava depressão, que o excesso de bile amarela estava associado à tensão, ansiedade e instabilidade pessoal, que níveis elevados de fleuma resultavam em um temperamento sombrio ou preguiçoso (fleumático) e que um excesso de volume sanguíneo estava relacionado a oscilações de humor rápidas. 
Hipócrates carecia de técnicas cientificas para verificar sua explicação, mas sua abordagem nos iniciou no caminho de melhor investigar o comportamento anormal como um mau funcionamento ou doença fisiológica e supriu a fundação para a perspectiva fisiológica sobre comportamento anormal. Durante a idade média (500-1500 d.C.), a religião tornou-se a força dominante e a abordagem naturalista de Hipócrates e seus seguidores foi essencialmente abandonada, e as doenças mentais eram consideradas uma consequência de possessão demoníaca. Diversas formas de exorcismo eram usadas para expulsar o demônio. 
Por volta do final da idade média, a política da igreja oficial ditava que as bruxas deviam ser identificadas e destruídas. Foi a época das caças às bruxas. Para expulsar o demônio, as bruxas tinham que ser mortas, muitas vezes queimadas vivas. Depois que os indivíduos perturbados foram reconhecidos como pacientes, o passo seguinte em promover atendimento humanitário envolveu melhor as condições nas quais os pacientes viviam. O famoso Philippe Pinel (1745-1826), em 1792, ordenou que os pacientes de seu hospital, em Paris, fossem desacorrentados e que os alojamentos fossem renovados para se tornarem mais agradáveis. Jean-Martin Charcot (1825-1893) em seu hospital Salpêntrière em Paris dedicando-se aos transtornos histéricos. Sigmund Freud (1856-1939) era neurologista e, como Charcot, estava interessado em tratar pacientes histéricos. Ele foi o pioneiro da abordagem psicodinâmica ao entendimento do comportamento anormal. 
A experiência clínica de Freud o levou a formular a hipótese de que a mente humana é semelhante a um iceberg - a maior porção está completamente encoberta. A vasta parte oculta da mente é chamada de inconsciente e ela contém desejos, medos e conflitos poderosos que exercem uma forte influência sobre o comportamento da pessoa, embora a pessoa esteja completamente inconsciente de sua existência. Freud acreditava que as memórias e conflitos mais importantes que estão guardados no inconsciente são aqueles vividos no início da infância. 
 

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