Gestantes alegam dificuldades para retirada de medicação

Grupo de mulheres que procurou este diário afirma que o AME de Presidente Prudente não tem conseguido administrar o fornecimento da enoxaparina

Saúde & Bem Estar - GABRIEL BUOSI

Data 24/10/2020
Horário 05:38
Reprodução/Site AME - Estado afirma que responsabilidade não é do AME, mas do Ministério da Saúde
Reprodução/Site AME - Estado afirma que responsabilidade não é do AME, mas do Ministério da Saúde

Um grupo de mulheres da cidade e também da região de Presidente Prudente procurou a reportagem com o relato de que enfrentam dificuldades para retirar a medicação enoxaparina no AME (Ambulatório Médico de Especialidades) do município. Conforme as informações das gestantes, o medicamento é fundamental para evitar, inclusive, a morte do bebê ou então da própria mãe, por problemas relacionados à trombofilia. “É uma situação que teve início com a transferência das entregas do remédio para o AME, comigo em meados de junho, visto que antes elas ocorriam no DRS [Departamento Regional de Saúde]. Sinto que é um descaso com as nossas vidas”, aponta uma das mulheres que integram o grupo, Poliana Possatti, 32 anos, estrategista digital.
Entre as dificuldades encontradas em relação à retirada do remédio, as mulheres apontam que até a transferência para o AME, elas contavam com dias e horários marcados para que pudessem levar para casa as 30 doses que cobrem o mês todo, mas que, com a mudança, houve um “descontrole” por parte do Estado, já que elas precisam ligar diariamente, mais de uma vez, para saber se os estoques estão ou não abastecidos com o insumo. 
“O descaso maior é em cima da falta de um protocolo de entrega, como o tempo de espera na fila ou então quem deu entrada primeiro no pedido. Sabemos que todas precisam, mas leva o medicamento para casa aquela que tiver sorte na ligação do dia”, aponta Poliana, grávida de oito meses. 
A supervisora pública de 32 anos, Laís Muraro, também tem se preocupado com as dificuldades encontradas. Ela aponta que deu entrada em abril na documentação, com uma prescrição de tomar 60 mg diariamente, mas lembra que agora o Estado fornece apenas 40 mg, sendo este mais um problema encontrado. “Com isso, precisamos fazer o fracionamento das doses e tomar, por dia, duas injeções para atingir a quantidade recomendada pelos médicos, sendo que o fracionamento não é indicado”. 
Laís, gravida de pouco mais de seis meses, finaliza ao dizer que se sente “extremamente preocupada”, por entender quais são os riscos que ela e o bebê sofrem com a ausência das doses. Além disso, menciona que, na dosagem dela, diariamente, se fosse preciso comprar em farmácias as injeções, seria um custo de R$ 75 por dose, lembrando que o uso seria necessário até 45 dias depois do nascimento do bebê, o que inviabiliza economicamente o custeio. “Não sabemos mais como agir diante desta situação, mas continuamos ligando lá diariamente, sem uma solução”. 

COM ISSO, PRECISAMOS FAZER O FRACIONAMENTO DAS DOSES E TOMAR, POR DIA, DUAS INJEÇÕES PARA ATINGIR A QUANTIDADE RECOMENDADA PELOS MÉDICOS, SENDO QUE O FRACIONAMENTO NÃO É INDICADO
Laís Muraro

"Responsabilidade do Ministério da Saúde"

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde esclareceu que a enoxaparina faz parte da lista de medicamentos adquiridos pelo Ministério da Saúde, que é o responsável pelo planejamento, compra e compartilhamento com os Estados, que, por sua vez, apenas redistribuem para os municípios, à medida que os lotes chegam. “O atraso na compra e na distribuição do medicamento impacta na distribuição e assistência aos pacientes das Farmácias de Medicamentos Especializados. O governo federal sinaliza entrega até a primeira quinzena de novembro”. 
A secretaria afirmou ainda que tem mantido contato com o Ministério da Saúde para que o reabastecimento dos estoques ocorra o mais breve possível. “Os pacientes serão comunicados tão logo ocorra o reabastecimento”. O fornecimento aos pacientes segue os protocolos clínicos para atendimento.
A reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde mais de uma vez, quando cobrou um posicionamento sobre o caso. Até a publicação deste texto, no entanto, O Imparcial não recebeu um retorno sobre a situação. 

Foto: Cedida 

gestantes têm dificuldade de conseguir medicamento contra trombofilia no AME de Presidente Prudente
Poliana é uma das gestantes que enfrentam dificuldades

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