Guri de PP mistura clássico com rock em apresentação no Flitpp

26 alunos munidos de violinos, violas, violoncelos e contrabaixos deram show no hall de entrada do Paulo Roberto Lisboa, ontem; segue programação hoje

VARIEDADES - SANDRA PRATA

Data 28/08/2018
Horário 04:00
José Reis - A apresentação do Projeto contou com 26 alunos munidos de violinos, viola, violoncelo e contra baixo
José Reis - A apresentação do Projeto contou com 26 alunos munidos de violinos, viola, violoncelo e contra baixo

Quando dizem que cada tijolo do Centro Cultural Matarazzo exala cultura, não é mentira. No Flitpp (Festival Literário de Presidente Prudente) cada espaço é atualizado para compartilhar ações artísticas nesta primeira edição do festival. Quem chegou ao local na manhã de ontem, teve certeza disso ao ver, logo no hall de entrada do Teatro Paulo Roberto Lisboa, a apresentação “Camerata de Cordas Friccionadas” do Projeto Guri de Presidente Prudente. Os 26 alunos – de 8 a 14 anos – munidos com seus violinos, violoncelos, contrabaixos e viola, abrilhantaram o quarto dia do festival com a execução de três músicas fazendo um passeio entre o clássico e o rock, regidos pelo educador Edvan Cecílio, 27 anos. Sentados no chão, crianças, pais e adultos em geral contemplavam a beleza do som no decorrer da apresentação. Segundo o professor, para metade da turma o Flitpp foi a primeira aparição pública, desde que começaram no projeto. “O lugar em si é muito bacana, então ter a primeira experiência aqui é estimulante”, expõe o professor.

Sobre o repertório preparado, Edvan comenta que o objetivo foi desmistificar a ideia de que instrumentos de cordas friccionadas só tocam músicas clássicas. “Ensaiamos desde fevereiro, para a apresentação de hoje [ontem], pois queremos passar nosso conhecimento para pessoas que não têm tanto contato com esse tipo de música e mostrar que podem tocar qualquer estilo”, explana.

José Reis - Crianças sentaram no chão do hall de entrada do Teatro Paulo Roberto Lisboa para prestigiar o show

Bastidores do show

O docente conta que já foi aluno do Projeto Guri e hoje, com sete anos de experiência à frente das turmas, frisa que o contato com a música é transformador. “O projeto me incentivou e incentiva muitas crianças não apenas a tocarem, mas a darem seu melhor nas músicas. E vejo que eles se sentem felizes fazendo isso”, pontua.

Em um ano e meio que esteve ao lado dessa turma, Edvan ressalta que a evolução é nítida. De acordo com ele, o ensino de cordas friccionadas é lento, porém, os jovens estão se destacando. “Temos aulas toda segunda e quarta-feira das 9h às 10h e eles têm não apenas atingido o esperado, mas se sobressaído, participantes cada vez mais”, relata.

A gerente regional do polo Guri, Fabiane Sanches Peres, diz que estar no Flitpp com os polos é gratificante, mas neste caso, é ainda mais motivador, uma vez que, os alunos estavam muito ansiosos para o momento. “É uma chance que eles tiveram de mostrar para as pessoas um pouquinho do trabalho que desenvolvem. Esse é nosso objetivo, promover a inclusão de crianças e jovens por meio da música”, acentua.

José Reis - Melissa esteve na apresentação para prestigiar Jéssica que tocou viola com o Guri

Prestigiando o som

Entre os presentes que se deixaram distrair pelos sons dos instrumentos, estava Melissa Pelágio, pedagoga e educadora social da Sociedade Civil Beneficente Lar Santa Filomena. Ela estava a postos para prestigiar a apresentação de viola da moradora do lar Jéssica de Carvalho Marques de 14 anos.

“Trouxemos as amigas dela para ver a apresentação dela no festival! O projeto é um divisor de águas na vida dessas crianças, principalmente para as do lar, ele mudou a vida da Jéssica, percebo que ela se encontra na música”, explica.

Realmente, segundo a própria Jéssica, quando toca viola se sente em paz com ela mesma e tranquila em relação à rotina diária. “Quando conheci o Projeto Guri, foi por meio de uma apresentação de violino, aí me interessei, me inscrevi e estou aqui há uns três anos já”, frisa.

Para Melissa, manter vivo o Flitpp é preservar um espaço que dê oportunidades das crianças se desenvolverem artisticamente. “A cultura hoje, infelizmente, não está tão inserida na sociedade, eu mesma, quando era mais nova, não tive acesso a aulas de música, por exemplo. E é algo que eu gostaria muito de ter a oportunidade. Hoje mesmo, na apresentação, ouvi instrumentos que senti vontade de aprender”, revela.

“Ensaiamos desde fevereiro, para a apresentação de hoje [ontem], pois queremos passar nosso conhecimento para pessoas que não têm tanto contato com esse tipo de música e mostrar que podem tocar qualquer estilo”

Edvan Cecílio

educador de cordas friccionadas do Projeto Guri

 

José Reis - Fabiane, gerente regional do Guri vê no Flitpp a chance de integrar as crianças por meio da música

 

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