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Homens ganham mais que mulheres

Em Prudente, média salarial para eles é de R$ 2,7 mil, enquanto para elas corresponde a R$ 2,4 mil; em cargos de direção, diferença chega a R$ 2,5 mil

PRUDENTE - ANDRÉ ESTEVES

Data 20/10/2019
Horário 04:00

A média salarial de homens empregados no setor formal de Presidente Prudente é superior à das mulheres. Enquanto a remuneração média dos funcionários masculinos é de R$ 2,7 mil, a das colaboradoras femininas é de R$ 2,4 mil. A diferença é mais significativa quando considerados os cargos de direção. Nesse caso, o público masculino ganha, em média, R$ 8,4 mil, ao passo que o feminino, R$ 5,9 mil. Os dados estão disponíveis no Observatório da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades de Trabalho, plataforma lançada em agosto pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) com o objetivo de estimular as empresas a alterar as estruturas internas discriminatórias.

Para sociólogos que atuam no município, a desigualdade salarial de gênero é resultado de uma herança patriarcal histórica que marca culturalmente a sociedade, o que torna complexo romper com esta estrutura que foi construída ao longo dos séculos. A docente na área, Olivia Alves de Almeida, aponta que o cenário está muito relacionado aos papéis de gênero atribuídos a homens e mulheres, ditando que a eles cabe o espaço público e a elas o espaço privado. “Isso significa que ainda existe uma cultura de que a responsabilidade pelos afazeres domésticos e cuidados com os filhos é atribuição das mulheres, o que reflete de diversas formas na empregabilidade, seja pela jornada dupla e tripla que, em geral, as mulheres acabam submetidas, seja pelo próprio preconceito dos empregadores com relação às mulheres que têm filhos, por exemplo”, comenta.

PROCESSO

LENTO E ÁRDUO

O historiador e sociólogo Heitor Ribeiro expõe que o caminho para acabar com a desigualdade é a mulher seguir buscando seu espaço na política para ir reestruturando a base, o que é um processo lento e árduo. Segundo ele, as mulheres conquistaram muitos direitos nos últimos anos, entre eles, entrar no mercado. Agora, a luta é buscar a equiparação salarial para as mesmas funções. “É interessante que este embate está rolando cada vez mais, principalmente quando, em 2018, houve manifestações em Hollywood sobre a diferença do valor pago a uma atriz e um ator em papéis protagonistas”, menciona.

Olivia, por sua vez, defende a sensibilização sobre o tema – trabalho que deve ser feito desde a formação básica do ser humano, a fim de que, chegando ao nível do trabalho, não seja necessário esse tipo de discussão. “Esse trabalho de base pode ser feito por meio da escola, sendo um processo de longo prazo e, a meu ver, a única possibilidade de resolver o problema pela raiz”, avalia.

Na contrapartida, ações de médio e curto prazo podem ser executadas nas empresas por meio de palestras, atividades e estudos que apontem as problemáticas da questão, buscando soluções conjuntas para o combate à desigualdade de gênero em todas as suas nuances. “É urgente o diálogo sobre o tema para que a diversidade possa ser entendida como um fator positivo e unificador”, pontua a docente.

NÚMEROS

R$ 2,7 MIL

é a remuneração média para homens em Prudente

R$ 2,4 MIL

é a remuneração média para mulheres na cidade

R$ 8,4 MIL

é a média salarial para homens em cargos de direção

R$ 5,9 MIL

é a média salarial para mulheres em cargos de direção

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