A sexta-feira foi marcada por um gesto simbólico e transformador no HE (Hospital de Esperança) de Presidente Prudente. Durante a inauguração dos primeiros banheiros adaptados para pacientes ostomizados do oeste paulista, gestores e profissionais reforçaram que “tornar-se humano” passa pelo cuidado diário — começando por quem cuida e alcançando quem é cuidado.
Ao longo da cerimônia, o hospital destacou práticas que priorizam acolhimento, leveza e bem-estar de colaboradores, voluntários e pacientes. O presidente Ricardo Anderson Ribeiro e a diretoria foram reconhecidos pelo impulso às ações de humanização, com menção especial ao diretor responsável pelo projeto de humanização do hospital, Rubens Afonso, a gestora Samanta Sansão e lideranças assistenciais envolvidas no projeto, além do apoio da Loja Macônica Paulo Ribeiro, que patrocinou a instalação do banheiro, além do apoio da empresa Coloplast.
Instalado em ponto estratégico do ambulatório, o novo banheiro foi projetado para atender necessidades específicas de pacientes com colostomia, ileostomia ou gastrostomia. A iniciativa busca garantir segurança, autonomia e dignidade, reduzindo barreiras do dia a dia — inclusive o medo de sair de casa por não haver local adequado para higiene e manejo da bolsa.
A escolha do ambulatório como local de instalação permite que pacientes em retorno pratiquem o autocuidado com privacidade, reforçando a reabilitação e a confiança no cotidiano.
A proctologista Josiane Cioda contextualizou a relevância da iniciativa ao lembrar o avanço do câncer de intestino no Brasil, com cerca de 45 mil novos casos por ano e aproximadamente 20 mil mortes anuais. Segundo ela, o diagnóstico precoce pode alcançar taxas de cura de até 90%, o que torna essencial a ampliação do acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao cuidado contínuo.
A gerente Samanta Sansão, liderança do projeto, apresentou a linha de cuidado estruturada ao longo do último ano, com protocolos que elevam a qualidade assistencial:
• Demarcação pré-cirúrgica do estoma por enfermeiros capacitados, com manual específico e educação em saúde;
• Fixação estratégica da bolsa, reduzindo descolamentos e lesões cutâneas;
• Orientação de alta detalhada e acompanhamento telefônico em 2 a 3 dias por enfermeiro estomaterapeuta;
• Ambulatório preparado para receber pacientes desospitalizados, fortalecendo autonomia e reabilitação.
Filipe Moura destacou que a reabilitação vai além da cirurgia. “Acolher dúvidas, treinar pacientes e familiares e oferecer tranquilidade no pós-operatório faz parte do tratamento”, reforçou. Parcerias técnicas, como com a Coloplast, contribuíram para a padronização de demarcações, capacitação da equipe e conscientização — reduzindo complicações e melhorando a experiência do paciente.
O depoimento de Átila Peck, representante da Coloplast e usuário de bolsa de colostomia há 19 anos, trouxe a perspectiva de quem vive a realidade fora do ambiente hospitalar. Ele relatou situações constrangedoras em banheiros públicos e ressaltou como estruturas adequadas devolvem autonomia e dignidade. Citou exemplos de São Paulo, como o Aeroporto de Congonhas e o Estádio do Morumbi, defendendo a ampliação do acesso em todo o país.
A superintendente Marilza Fortunato celebrou o caráter pioneiro da inauguração e a oferta gratuita de educação, capacitação e assistência de qualidade — um diferencial que, segundo ela, “aquece o coração” da equipe. A cerimônia foi encerrada com o corte simbólico da fita, reunindo gestores, médicos, enfermeiros, parceiros e pacientes.
A iniciativa deve ampliar a autonomia do paciente ostomizado, reduzir o estigma, melhorar a experiência assistencial e estimular que outras instituições adotem banheiros e protocolos específicos, fortalecendo uma rede regional de cuidado integral.
Cedida

Rubens Afonso, diretor responsável pelo projeto de humanização no Hospital Esperança