Em 18 anos, Santa Casa de Prudente acumula 117 captações de múltiplos órgãos e 493 transplantes de córneas

Doação só é possível com consentimento familiar, daí a importância de palestras e divulgações de dados sobre tal procedimento e sua importância

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 01/02/2026
Horário 04:15
Foto: Santa Casa de Prudente
Após captação, é possível informar aos familiares quais órgãos foram viabilizados para doação
Após captação, é possível informar aos familiares quais órgãos foram viabilizados para doação

De janeiro a dezembro de 2025, a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente realizou seis captações de tecidos oculares, 15 transplantes de córneas e cinco captações de múltiplos órgãos. Os números não são distantes dos catalogados em 2024, quando ocorreram na mesma instituição 10 captações de tecidos oculares, seis transplantes de córneas e sete captações de múltiplos órgãos. No geral: de 2007 a 2025, ou seja, em um período de 18 anos, as ações do hospital totalizaram em 589 captações de tecidos oculares, 117 captações de múltiplos órgãos e 493 transplantes de córneas. 

No HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo de Presidente Prudente, unidade que também é uma das habilitadas para a captação de órgãos no Estado, a SES (Secretaria Estadual de Saúde) informa que foram realizadas, em 2025, oito coletas de oito doadores. Já em 2024, foram três procedimentos, estes envolvendo três doadores. 

Enfermeiro da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes da Santa Casa, Helton Santana explica que a doação de órgãos só é possível com o consentimento familiar, e isso melhora com a realização de palestras e divulgações de dados sobre tal procedimento e sua importância. 

“A aceitação da doação de órgãos depende muito do contexto que levou o paciente a sofrer o dano neurológico. Quando se trata de morte traumática, é mais provável que haja recusa em relação à doação de órgãos, inclusive devido ao sofrimento que os familiares já vêm enfrentando”, conta. Já quando o quadro é de AVC (Acidente Vascular Cerebral), há maior aceitação, pelo fato de ser uma condição irreversível.

Portanto, a SES ressalta que a principal orientação para quem deseja ser doador de órgãos é manifestar essa vontade em vida aos familiares, pois a decisão final cabe a eles. “Como apoio, existem iniciativas de cadastro positivo de doadores, que podem ser consultadas no momento do óbito para auxiliar a família”, frisa. 

Destaca que atualmente está disponível a AEDO (Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos), uma iniciativa do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), do Colégio Notarial do Brasil e do Ministério da Saúde, que permite o registro formal dessa intenção.

Processo de doação

De acordo com a SES, após a confirmação da morte encefálica, no Hospital Regional, inicia-se o protocolo de doação, em que é notificada a Central de Transplantes. A e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes) da instituição ou a OPO (Organização de Procura de Órgão) estadual realiza uma abordagem humanizada junto à família para autorização da doação. 

“Com o consentimento, são feitos exames para avaliar a viabilidade dos órgãos. Em seguida, a Central de Transplantes define os possíveis receptores, conforme critérios como compatibilidade sanguínea, sendo cada órgão vinculado a uma lista específica”, detalha. “A equipe receptora é responsável pela captação do órgão, enquanto a Central garante a logística e o transporte necessários para que o transplante ocorra em tempo hábil”, prossegue a pasta estadual.

Abordagem familiar

No que diz respeito à abordagem familiar, a Santa Casa esclarece que, na instituição, ela é realizada pelo enfermeiro que está de plantão, após a constatação do óbito feito por dois médicos diferentes através de exames clínicos e de imagem. 

A notícia do falecimento é dada pelo médico plantonista e, logo após, o enfermeiro responsável pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes realiza a abordagem para doação de órgãos. “Nessa etapa, são explicadas quantas vidas podem ser salvas caso a resposta seja positiva, além de ser abordado o desejo do próprio doador em ajudar o próximo, caso ele já tenha manifestado ou comentado em vida sobre a doação de órgãos”, esclarece Helton.

A entrevista deve ser realizada com parentes de primeiro grau, sendo necessário que todos os presentes concordem com a doação de órgãos durante a abordagem familiar.  “Caso haja aceite familiar, é necessário aguardar cerca de 36 horas para a realização de todo o processo de captação, inclusive porque as equipes dependem de transporte aéreo para chegar a tempo até a Santa Casa”, revela.

O enfermeiro ainda ressalta que esse período também envolve a realização de todos os exames laboratoriais e testes sorológicos em tempo hábil, antes mesmo de iniciar a rodada da lista na Central de Transplantes. “Ainda assim, o paciente pode ser contraindicado para doação de órgãos caso apresente alterações nos exames laboratoriais ou nos testes sorológicos”, informa.

Receptores preservados

Após a captação, é possível informar aos familiares apenas quais órgãos foram viabilizados para doação e para qual cidade foram encaminhados, não sendo permitido divulgar informações ou dados dos pacientes receptores. Apenas a Central Estadual de Transplantes possui essas informações. 

“Como instituição, estamos sempre buscando melhorias para que esse processo evolua cada vez mais; porém, isso não depende apenas do nosso empenho, mas também da conscientização dos familiares em relação à doação de órgãos”, frisa a Santa Casa.

Santa Casa de Prudente

Equipes dependem de transporte aéreo para chegar a tempo até a Santa Casa

Santa Casa de Prudente


Entrevista deve ser realizada com parentes de primeiro grau, explica enfermeiro Helton Santana

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