Antes de números, planilhas e projetos, a visita foi marcada pela escuta. O supervisor administrativo da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Saúde, Humberto Tobé, esteve em Presidente Prudente nesta quinta-feira (29) como parte de uma agenda regional que se estendeu também por Santo Anastácio, Álvares Machado, Presidente Epitácio e Presidente Venceslau, nesta quinta e sexta-feira (30).
Na cidade, Tobé visitou o HE (Hospital de Esperança), referência regional no tratamento oncológico, onde foi recebido pelo presidente da instituição, Ricardo Anderson Ribeiro, pela superintendente Marilza Barbosae pela gerente assistencial Samanta Sansão.
Durante a visita, Ricardo Anderson Ribeiro apresentou ao representante do Ministério da Saúde um conjunto de demandas estratégicas voltadas à expansão das atividades e à reestruturação institucional da fundação.
“A ideia é manter a excelência já reconhecida no tratamento oncológico, mas avançar para oferecer ao paciente do SUS [Sistema Único de Saúde] o ciclo completo de assistência, da detecção precoce à reabilitação”, destacou o presidente.
O pedido de recursos está estruturado em eixos claros, com foco na otimização da infraestrutura existente, ampliação de serviços e ganho de eficiência assistencial.
Um dos pilares do projeto é a reforma e adequação estrutural de um edifício cedido à fundação, que deverá se tornar um centro administrativo de excelência. Com a transferência das áreas administrativas, o hospital poderá liberar espaços internos hoje ocupados por funções burocráticas.
Essas áreas serão convertidas em consultórios de diagnóstico rápido e salas de exames de alta complexidade, como ressonância magnética, tomografia computadorizada, endoscopia, colonoscopia e ultrassonografia. A proposta é reduzir filas, agilizar diagnósticos e ampliar a capacidade de atendimento.
O setor de radioterapia, o mais antigo do Hospital de Esperança, atende atualmente entre 85 e 90 pacientes por dia.
O hospital conta com uma tomografia dedicada de 32 canais, exclusiva para o planejamento radioterápico, além de um acelerador linear em funcionamento. Outro equipamento, mais moderno, foi adquirido por meio do Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica ) e aguarda instalação.
O novo acelerador, que possui tomografia embutida, permitirá técnicas avançadas como a radioterapia estereotáxica, com maior precisão, menor número de sessões e redução da toxicidade para os pacientes. O desafio, no momento, é viabilizar parte do financiamento necessário para a reforma do bunker, instalação e calibração do equipamento, cujo custo ultrapassa US$ 1 milhão.
Outro ponto sensível apresentado foi a expansão do Centro de Endoscopia e Colonoscopia, que hoje realiza cerca de 50 exames diários em duas salas. Com recursos próprios, o hospital está reformando o setor para operar com quatro salas, dobrando a capacidade para 100 exames por dia, a partir de março.
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da redução da idade recomendada para colonoscopia preventiva para 40 anos, reforçando o papel da prevenção no combate ao câncer do trato digestivo.
Entre os desafios enfrentados está o absenteísmo, com média de oito faltas por dia, especialmente às segundas-feiras. A equipe trabalha em conjunto com a atenção primária para melhorar o preparo dos pacientes e a adesão aos exames.
Durante a visita, também foi discutida a possibilidade de uma mudança estrutural no modelo de atendimento do Hospital de Esperança. Atualmente, a instituição atende pacientes regulados pela Rede Siresp (Cross) que estão regulados via Rede Hebe Camargo.
A proposta apresentada ao Ministério da Saúde prevê que o hospital possa se atender a demanda oncológica, atuando como unidade 100% SUS, especializada exclusivamente em oncologia. A medida permitiria fluxos mais ágeis, atendimento mais humanizado e maior eficiência no cuidado aos pacientes com câncer.
Humberto Tobé conheceu detalhadamente a situação atual da instituição, seus indicadores, capacidade técnica e projetos de expansão. A avaliação foi considerada positiva, com reconhecimento da qualidade da estrutura e da equipe.
O principal desafio apontado é o custeio necessário para manter e ampliar serviços de excelência. O representante do ministério citou programas federais, como o “Agora Tem Especialista”, e reforçou a importância de hospitais de referência integrarem de forma estratégica o SUS.
Entre os próximos passos estão a conclusão das reformas em andamento, a aquisição de novos equipamentos, o avanço no cronograma de instalação do no novo acelerador linear.
A visita reforça o papel do Hospital de Esperança como peça-chave na rede de atenção oncológica do oeste paulista e abre caminho para novos arranjos institucionais voltados à ampliação do acesso, da qualidade e da integralidade do cuidado no SUS.
Fotos: cedidas

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