A cadência média de um corredor é de 180 passos/min. Significa 180 pequenos saltos a cada minuto, 5.440 pequenos saltos numa corrida de 6 Km (30 min) e 23.400 pequenos saltos numa corrida de 21 Km (130 min). Esses pequenos saltos geram impacto nas estruturas corporais, como o tornozelo, joelho, quadril e coluna. Em princípio, pode ser um sinal de alerta para risco de lesão e osteoartrite com todos os Km acumulados ao longo da semana, mês, etc. Será que realmente lesiona?
BENEFÍCIOS SIGNIFICATIVOS
Desde a década de 1970, com a divulgação das pesquisas do médico cardiologista americano, Kenneth Cooper, os benefícios da corrida para a saúde do coração são bem conhecidos e incontestáveis. A corrida e outros exercícios aeróbicos também são importantes para o controle do peso corporal, da pressão arterial, da glicemia e lipidemia (triglicerídeos e colesterol), bem como da saúde mental. Por isso, a prática da corrida é amplamente recomendada, havendo restrições para algumas condições específicas de doenças ou outras.
IMPACTO NAS ARTICULAÇÕES
Há profissionais da saúde que têm aversão e severas restrições aos movimentos/treinamentos que incluem impacto, tais com corrida e esportes com saltos (vôlei, basquete etc). Esses profissionais são bastante conservadores em relação à preservação das articulações, principalmente dos joelhos. A corrida pode ser considerada uma atividade de alto impacto (e repetitivo) e as distâncias percorridas semanalmente (30-80 Km para amadores) podem ter efeito acumulativo, potencialmente lesivo.
FATORES DE RISCO
Estudo publicado em 2023 na revista Sports Health contribuiu para esclarecer sobre lesões e osteoartrite (doença degenerativa inflamatória crônica que causa o desgaste da cartilagem das articulações, principalmente joelhos e quadril) em corredores de longa distância. Participaram 3.804 corredores amadores com média de 44 anos, cuja maioria já havia completado 5 a 10 maratonas. Apenas 7,3% apresentaram osteoartrite no joelho ou quadril. Foram identificados como fatores de risco para osteoartrite entre os participantes: índice de massa corporal (IMC) elevado, idade avançada, histórico de lesões ou cirurgia no joelho e quadril e histórico familiar de osteoartrite.
Periodização e acompanhamento para participação em corridas de longa distância estão entre os aspectos essenciais para prevenção de lesões
LONGAS DISTÂNCIAS
Ao contrário das crenças de muitos profissionais da saúde e do senso comum dos próprios corredores, o número de anos praticando corrida, o número de maratonas completadas, a média de distância percorrida na semana e a média de pace (ritmo de corrida: min/Km) não estavam associados com maior risco de osteoartrite no joelho ou quadril em corredores amadores. De fato, a prática regular de corrida pode até diminuir (em 50%) o risco de cirurgia no joelho devido à osteoartrite, conforme outro estudo publicado na revista American Journal of Sports Medicine (2017).
PROGRESSÃO, PERIODIZAÇÃO E CONTROLE
Corrida de rua é uma atividade segura, em termos de lesões, desde que o corredor seja orientado em seu treinamento, seguindo os princípios de treinamento, especialmente da individualidade biológica, adaptação e sobrecarga progressiva (distâncias e pace). A periodização e o acompanhamento para participação em corridas de longa distância (21, 42 Km ou mais) estão entre os aspectos essenciais para prevenção de lesões e do overreaching e overtraining.
Referências
Alentorn-Geli E, Samuelsson K, Musahl V, Green CL, Bhandari M, Karlsson K. The association of recreational and competitive running with hip and knee osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2017; 47(6): 373-390. http://dx.doi.org/10.2519/jospt.2017.7137
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Hartwell MJ, Tanenbaum JE, Chiampas G, Terry MA, Tjong VK. Does running increase the risk of hip and knee arthritis? a survey of 3804 marathon runners. Sports Health. 2024; 16(4): 622-629. http://dx.doi.org/10.1177/19417381231190876
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