Incêndio consome 300 ha de reserva florestal e Apoena cobra investigação

Associação acredita que vingança pode ter ensejado a queima de parte do espaço de conservação de mata atlântica; entidade deve procurar a Polícia Civil hoje  

REGIÃO - GABRIEL BUOSI

Data 20/07/2018
Horário 04:02
Djalma Weffort/Cedida - Segundo ambientalista, os 300 hectares queimados representam 30% da área total do espaço Foto: Djalma Weffort/Cedida - Segundo ambientalista, os 300 hectares queimados representam 30% da área total do espaço

A Apoena (Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar) acredita que o incêndio que devastou cerca de 300 hectares da reserva florestal do Córrego do Veado, em Presidente Epitácio, entre a noite de quarta-feira e a manhã de ontem, seja criminoso. Conforme o presidente da associação, ambientalista Djalma Weffort, a situação é “lamentável”, visto que se trata de um espaço de conservação da mata atlântica e que pode ter sido “alvo de vingança”. A proporção do incêndio é confirmada pelo Corpo de Bombeiros, que informa ter recebido novos chamados na manhã de ontem, sendo que o fogo já havia sido controlado na noite de quarta. O caso deve ser registrado hoje na Polícia Civil do município.

Segundo a corporação, o primeiro chamado chegou aos oficiais por volta das 23h, quando uma viatura foi ao encontro da equipe de brigadistas para combater as chamas, no espaço que fica na Rodovia Vicinal Hélio Gomes. Mesmo tendo sido “controlado” durante a madrugada, novos chamados chegaram à corporação no início da manhã de ontem, próximo das 6h30, sendo que foi por volta das 10h que as equipes deixaram o local.

“O controle, nestes casos, é quase impossível por acusa da variação do vento e que faz com que as chamas se alastrem rapidamente para as diversas direções”, esclarece o Corpo de Bombeiros. Ainda conforme os oficiais, o acesso também foi um fator de dificuldades, já que o mesmo não permite a entrada de caminhões, sendo o trabalho realizado de forma braçal por parte dos bombeiros.

Questionado sobre o caso, Djalma afirma que os 300 hectares da reserva florestal representam 30% da área total do espaço, que também abrigava a sede de campo da Apoena, mas ressalta que, além da mata, pastagens também foram queimadas, o que traz diversos prejuízos. “As consequências atingem tanto a fauna quanto os projetos de restauração que estamos fazendo aqui. Ainda faremos um levantamento completo, mas suspeitamos que o incêndio seja de origem criminosa, visto que houve recentemente uma desocupação de invasores no local, e que podem estar respondendo colocando fogo na mata”, considera.

Desta forma, com os indícios, Djalma esclarece que, munido de todas as informações que tem levantado desde ontem, deve comparecer hoje na unidade de Polícia Civil para que as reais causas do incêndio sejam apuradas.

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