Inclusão marca exibição de filme no Matarazzo

Através da audiodescrição das cenas e ações, deficientes visuais tiveram acesso aos detalhes da obra sobre a história de Prudente

VARIEDADES - BEATRIZ DUARTE

Data 27/03/2018
Horário 17:44
José Reis - Com audiodescrição, os deficientes tiveram acesso aos detalhes das cenas do filme
José Reis - Com audiodescrição, os deficientes tiveram acesso aos detalhes das cenas do filme

De forma inclusiva, o filme “Histórias & Estórias - cem anos - Presidente Prudente”, do cineasta da cidade, Vicentini Gomez, foi exibido de forma audiodescritiva, no Centro Cultural Matarazzo, para os integrantes da Associação de Proteção aos Cegos. O intuito foi contribuir na compreensão dos deficientes visuais sobre o material. O evento contou com aproximadamente 15 pessoas, que participaram de um bate-papo após o término da sessão.

Uma voz gravada e acoplada ao sistema descrevia os detalhes do filme, como ações e cenas não faladas. Concentrados, os presentes relembravam as histórias sobre o surgimento de Presidente Prudente, assim como o seu desenvolvimento, por meio de um dos seus percussores, Coronel José Soares Marcondes, e momentos fundamentais como a construção da primeira paróquia da cidade e as primeiras eleições.

Com explicações sobre o processo da produção do filme, aquisição de materiais, o diretor Vicentini Gomez, comentou que sempre trabalha com a inclusão e as minorias em suas obras, isso reflete em seu próximo filme ainda em fase de captação de recursos, que fala sobre a vida do homem negro na sociedade. Outro exemplo é o “Rio da Minha Terra”, produzido no município de Presidente Epitácio, sobre o desalojamento dos ribeirinhos para a construção da usina de Porto Primavera.

Presente na lei, o cineasta ressaltou que recebeu o pedido da Secretaria do Estado da Cultura para que ele realizasse a audiodescrição dos seus filmes. Em relação ao filme que conta a história de Presidente Prudente, ele distribuiu 200 cópias em vários pontos do Estado de São Paulo. Entre eles, o MIS (Museu da Imagem e Som). “Fiz questão de fazer a apresentação aqui na minha terra”. Sobre a importância do evento, ele comenta que esse é o papel da arte. “Essa é a mensagem, precisamos pensar na nossa contribuição para melhorar o planeta”.

 

Percepções

Um dos presentes, Jeremias Moreira Ferra disse que conseguiu relembrar sobre a história da cidade, e alguns acontecimentos específicos, como a primeira banda da cidade chamada “Sete de Setembro”. Para ele, a iniciativa é interessante, porque é uma oportunidade de dar voz aos deficientes visuais. “Deveria ocorrer mais ações assim, eu gostei bastante”, destaca.

Já Luiz Antônio Gargantini, conta que se mudou para Prudente, no dia 1º de setembro de 1950, e há 68 anos vem construindo sua vida na cidade. “Eu achei legal, pude relembrar algumas coisas do passado que aconteceu aqui, como o tempo que eu estudava em uma escola primária na Rua José Foz, e que hoje, faz parte do centro da cidade”. Para Bertiana Rodrigues, psicóloga da associação, as ações inclusivas são de extrema importância diante do cenário que vivemos, além disso, o aprendizado serviu para todos os presentes. “Eu achava que Prudente era fruto apenas da plantação de café, não conhecia os detalhes da sua história”. Segundo ela, o material será inserido na rotina da entidade e mais pessoas poderão ter acesso.


 

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