Intolerância nossa de cada dia

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 26/03/2023
Horário 05:00

“Somos irmãos, nascidos do mesmo Pai. Com culturas e tradições diferentes, mas todos irmãos. E no respeito pelas nossas diferentes culturas e tradições, pelas nossas diversas cidadanias, devemos construir fraternidade.” (Papa Francisco, 2022)

Dia desses, a pessoa me deixou ‘encucado’ (pensativo) com uma expressão. Ao referir-se ao Hospital Nossa Senhora das Graças, disse “no das Graças”. Única explicação para ‘tal e tanta’ intimidade com o nome da santa: ali estava alguém de fé protestante (evangélica). Não quero soar intolerante, porque aceito a fé distinta da minha, mesmo aquela cujas filosofia, teologia, expressões e ritos tenho mais dificuldade em entender.
Penso se quem mora na cidade ou na Rua “São Sebastião” dirá apenas “moro na Sebastião”; e se quem vai viajar para São Paulo, diria apenas estar indo para “Paulo”. No oeste paulista temos o município de Santo Expedito; seria apenas “Expedito”? São Sebastião do Rio de Janeiro virou “Rio de Janeiro” ou simplesmente “Rio”. Tudo bem. Mas há expressões impossíveis de eliminar a referência católica que carrega.
Nunca será demais recordar que a cultura brasileira se confunde com o catolicismo. Um simples “Nossa!” ou “Vixi!” remete à Nossa Senhora, a Virgem Maria. E... tudo bem. Querido irmão que crê diferente de mim, nome de santo não atrai maldição sobre você. Caso seu nome próprio seja Maria Aparecida, Maria das Graças, Tereza ou Teresinha, Francisco de Assis, Agostinho ou Antônio... qual seria o problema?
No dia 21 de janeiro, celebramos o Dia Mundial da Religião e, no Brasil, o Dia Nacional de Combate à Intolerância religiosa. As duas datas fazem pensar na contribuição e na missão precípua e transcendente das religiões na construção de um mundo mais fraterno e unido. O papa Francisco convida à valorização das diferenças de cada um, e lembra que o assunto não se limita à liberdade de culto, mas está profundamente ligado à fraternidade: “Hoje a fraternidade é a nova fronteira da humanidade. Ou somos irmãos ou destruímo-nos uns aos outros”.
A fé em Cristo Jesus pode ser noutra tradição religiosa que não a minha. E necessariamente, ela não precisa “ser contra” a minha. Salvar almas é a nossa missão. Viver no estica-e-puxa de igrejas e religiões nos apequena e embaça a luz do evangelho. Precisamos de mais tolerância, mais informação, mais acolhida fraterna, mais respeito pelo diferente. O dia a dia merece e precisa de relações interpessoais mais positivas. Menos combate, mais solidariedade. Vamos tentar?
Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!
 

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