Ivan Moré fala das novas perspectivas e desafios na carreira

De Presidente Venceslau para o mundo: jornalista deu uma pausa nas gravações da campanha de um novo projeto da Unimed Prudente, para conversar com O Imparcial

Esportes - OSLAINE SILVA

Data 19/07/2020
Horário 09:58
Weverson Nascimento -  Ivan Moré lembra que aos 14 anos começou a trabalhar no rádio: Foto: Weverson Nascimento - Ivan Moré lembra que aos 14 anos começou a trabalhar no rádio:

Um ícone do esportes, que orgulha sua terra natal, Presidente Venceslau, e toda região, o jornalista Ivan Moré, 43 anos, quase 29 deles na comunicação, deu uma pausa nas gravações da campanha de um novo projeto da Unimed Prudente, para bater um papo bacana com O Imparcial. Acompanhe agora a entrevista em que ele aborda vários assuntos interessantes, de sua carreira à família, o momento da pandemia, novas perspectivas e desafios a serem percorridos!

O que o trouxe neste momento à região?
A campanha para a Unimed . E aproveitei para dar um respiro à minha esposa, Mariana, trazendo comigo os meus dois filhos, a Mel e o Lui. E ao mesmo tempo, respeitando o isolamento, matar a saudade dos amigos, dessa região que gosto e me faz muito bem! O simples fato de voltar, essa relação com o ambiente, com as pessoas queridas... o interior me faz muito bem.

E essa dobradinha com a Unimed o convidando para a campanha, quando sua mãe completa 20 anos de empresa? Fale sobre isso.
Então, veja que curioso! A Unimed foi muito feliz. Percebeu a oportunidade em vincular uma pessoa pública que tem uma imagem boa na região, ao mesmo tempo com essa coincidência. Embora eu não acredite em coincidências, e sim que de certa forma as energias vão convergindo para que as coisas aconteçam. Minha mãe, Zilda Dias, completa 20 anos de Unimed, o mesmo tempo em que fiquei na TV Globo. E justo no mês em que não estou mais na TV e apto a fazer uma propaganda, a primeira marca que me conecto é justamente a que ela trabalha [emociona-se].

Pela sua emoção, sua mãe é muito especial pra você...
Ela é minha inspiração de vida! Eu realmente me emociono em falar da minha mãe. Ela vai ficar muito feliz com essa campanha, porque trabalha com muito propósito. Gosta do que faz. E eu vou fazer propaganda para a empresa em que ela justamente trabalha no setor de vendas. Eu brinquei com ela que agora vai vender planos de saúde pra caramba [risos]. Todo mundo que quiser é só ela falar que a maior propaganda é o filho dela [risos].

Como tem sido esse momento de pandemia do ponto de vista familiar?
Olha, foi uma mudança profunda em todos os aspectos, pessoal, familiar, profissional e principalmente do entendimento da valorização da figura da minha esposa, Mariana! É impressionante como a sociedade sobrecarrega a figura feminina. É algo que existe, que está implícito e a sociedade como um todo fomenta muito isso. Tenho reconhecido cada vez mais a importância do papel da minha mulher, como o ‘coringa’ da casa. Passei nesse momento a me apropriar muito mais de atividades que antes da pandemia eu não dava conta, principalmente relacionadas aos meus filhos.

E no sentido pessoal? O que esta situação em que estamos vivendo tem te proporcionado?
Creio que a pandemia me proporcionou algo muito reflexivo em relação ao nosso papel na sociedade e enquanto transformador no mundo. Enquanto comunicador sempre tentei ser relevante, independente de onde estivesse. Fazer coisas que fossem percebidas e que gerassem valor. Percebi que agora, quando consegui parar para pensar e desacelerar em relação a esse mundo que também deu uma pausa, estou descobrindo em mim uma pessoa mais tranquila, mais pausada, mais analítica e menos ansiosa. E que está tentando se reinventar numa sociedade em transformação. Tenho refletido em ser um pai melhor, um marido melhor, uma pessoa melhor, mais completa na sociedade, com um campo maior de visão e de entendimento de ponto de vista que eu não tinha.

Essa coisa da comunicação é de família? Está no sangue?
Dois tios meus são comunicadores, o Clóvis e o Toninho Moré. O tio Armando também chegou a trabalhar no rádio. Só meu pai que não quis. Tenho primos que estão no rádio. Eu não sei se está no sangue. Acho que é uma vocação que eu consegui descobrir muito cedo. Aos 14 eu comecei a trabalhar no rádio. Então, toda a minha carreira foi trilhada em comunicação. Eu notei desde cedo que aquilo tinha a ver com o meu mundo. Não tinha muita visão de como seria, mas tinha vontade de mergulhar mais nesse mundo e fui me apropriando de observação, experiência.

“PASSEI NESSE MOMENTO A ME APROPRIAR MUITO MAIS DE ATIVIDADES QUE ANTES DA PANDEMIA EU NÃO DAVA CONTA, PRINCIPALMENTE RELACIONADAS AOS MEUS FILHOS”

O jornalismo esportivo sempre foi o seu foco ou o interesse surgiu no decorrer da profissão?
Eu sempre tive vontade de trabalhar com esportes porque eu sempre pratiquei. Jogava futebol, tênis, nadei... E a TV surgiu assim que saí da faculdade [a realização de um sonho também]. E internamente, ali notei que poderia me encaminhar pelo mundo do esporte. As coisas foram acontecendo e foi uma experiência fantástica! Hoje, não quero me desvincular do esporte, mas estou em uma nova fase. Nossa vida é feita de ciclos. E este meu ciclo, em TV aberta, se encerrou num momento em que terminando meu contrato eu poderia vislumbrar outros caminhos.

O que você sente ao olhar para trás?
Me sinto feliz e orgulhoso com todas as coisas bacanas que consegui realizar no esportes. Tive a oportunidade de estar em contato com seres extraordinários que são os heróis desse mundo que a gente vive, os atletas de alto rendimento, como quase todos os pilotos de Fórmula 1, Michael Felpes, Rafael Nadal, Roger Feder, Ronaldo Fenômeno, Pelé, Neymar...Tenho contato com alguns até hoje, campeões olímpicos como César Cielo, Arthur Zanetti, Hortência... Então, o simples fato de estar em contato, ainda que seja mínimo, com essas pessoas, me realiza. 

Conquistas...
Olha, vim do interior, nunca tive muita força em relação a indicações. Fui guiado por aquilo que eu acreditava, principalmente pelo propósito que batia no meu coração, sabe? Então quando você tem essa força, por mais que ela não seja visível em alguns momentos, ela é muito poderosa. Ela transforma a vida das pessoas. E depois que entende isso, você começa a perceber que pode tudo, desde que queira. 

Desafios...
Pra mim foi uma grande realização eu ter permanecido por 20 anos numa emissora tão grande como a TV Globo e ter um lugar de destaque. Mas acho que os maiores desafios agora são os que virão. Porque no mundo em que a gente vive hoje, profissionais de todas as áreas precisam se reinventar a todo o momento por conta da transformação tecnológica, da mudança de pensamento das pessoas e das novas gerações que chegam com um outro mindset. Eu li uma frase recentemente no ‘Desobediência Produtiva’, num dos podcast que gravei, um cara dizer que hoje um profissional completo, em tese, vai ter que passar de quatro a seis profissões. Vai ter que desaprender para aprender de novo e assim sucessivamente. 

Novos projetos em ação?
Meu principal desafio é continuar sendo relevante com novas audiências e oferecendo um conteúdo para gerar valor para essa nova audiência. Também vinculado ao esporte, tenho um podcast chamado ‘Qualé, Moré?’, em que trago as histórias, grandes figuras, entrevistas e os bastidores do mundo do esporte. E o ‘Desobediência Produtiva’, que é meu grande projeto hoje, com grandes empresários, fundadores de sturtups, mentores, pessoas fora da curva que estão colocando a mão na massa nesse exato momento. Então eu vou atrás delas e através do podcast eu democratizo conhecimento e espalho para os outros. Hoje em dia a educação rompe completamente o modelo tradicional de ensino em que pra fazer um curso precisa estar presencialmente. Você pode absorver conhecimento ouvindo um podcast, assistindo um vídeo no Youtube, um documentário na Netflix, conversando com uma pessoa mais nova que pode te explicar qual é o seu ponto de vista do mundo.

Essa questão de aprendizado é interessante...
Então, quando falo de aprendizado hoje, me vinculo muito ao período que estou passando, me propondo a aprender coisas diferentes para agregar em tudo que eu já realizei. Desaprender algumas coisas para aprender outras e manter a cabeça fresca. Momentos de transição. Sem tirar o pé do esportes eu estava buscando outros caminhos para desbravar, esse mundo digital, o mundo corporativo. No ano passado, eu tive a oportunidade de ir à Califórnia, no Vale do Silício, onde estão as maiores sedes de empresas de mídia social [Google, Facebook...] e o período foi bastante interessante para que eu conseguisse assimilar como as pessoas de lá enxergam o mundo. O que gerou uma faísca de provocação na minha cabeça de crescimento e de aprendizado!


 

 


 

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