JBS adia novamente fechamento de frigorífico

REGIÃO - Mariane Gaspareto

Data 21/06/2016
Horário 10:19
 

A JBS/Friboi decidiu adiar novamente o fechamento no frigorífico de Presidente Epitácio enquanto aguarda a definição de uma proposta do governo do Estado na semana que vem, para viabilizar a continuidade das operações na unidade. No entanto, o presidente do Sintiapp (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Presidente Prudente e Região), Roberto Moreira, afirma que a direção da empresa informou que pretende dar férias coletivas aos funcionários enquanto as tratativas se desenrolam.

A decisão foi tomada após reunião realizada ontem entre representantes do setor e do governo. De acordo com a SAA (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento), no encontro foram debatidas várias questões referentes à atividade. A pasta declara que o diálogo prossegue "na busca da manutenção, dentro dos preceitos da responsabilidade fiscal e do resguardo do interesse público, das condições para que os frigoríficos possam desenvolver sua atividade, de forma que São Paulo se resguarde de uma agressiva guerra fiscal de outros Estados".

Como noticiado na última semana por O Imparcial, a JBS/Friboi havia noticiado que encerraria suas atividades na unidade epitaciana na sexta-feira, dia 17. A medida foi postergada para ontem, em decorrência do encontro marcado entre a empresa e o governo do Estado. E, como supracitado, o fechamento do local foi novamente adiado.

No ano retrasado, a unidade promoveu a concessão de férias coletivas aos trabalhadores, o que gerou entre eles muito receio do encerramento das atividades. No entanto, na época, a empresa apontou que a medida era "mercadológica". Caso a unidade de fato feche suas portas, será a segunda vez que isso ocorre. Em 2011, as atividades foram suspensas, mas reabertas no ano seguinte. A fábrica foi construída no fim da década de 1970 e tem sido administrada pela JBS/Friboi desde 2001. Atualmente, 795 pessoas atuam no frigorífico.

 

Setor de frigoríficos

A JBS/Friboi alega que o motivo do fechamento foi a publicação do Decreto 61.907, em abril. Antes, as indústrias do setor poderiam acessar créditos acumulados de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) mesmo com débitos inscritos na dívida ativa estadual. Com o novo documento, agora só é permitido o acesso a 50% do crédito.

O vice-diretor regional do Ciesp/Fiesp (Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Eduardo Chesine, aponta que, por enquanto, não chegou ao seu conhecimento a possibilidade de também serem fechadas unidades do setor em Presidente Prudente. "O panorama geral é preocupante, mas ainda não chegou a esse patamar crítico na cidade" explica.

Reinaldo Mateus, que atua no setor, ratifica que ainda não há risco de fechamento de frigoríficos no município, visto que, apesar da contingência de gado no Estado, ainda há um grande número de bovinos abatidos e contratos de exportação vigentes que precisam ser cumpridos. No ano passado, de acordo com o IEA (Instituto de Economia Agrícola), a região produziu 706,8 mil cabeças de gado para abate. A queda em relação ao ano anterior foi de 2%, quando a produção atingiu 721,5 mil cabeças.

 

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