Jomo Fortunato

António Montenegro Fiúza

«O mais importante é resolver o problema do povo»
Dr Antonio Agostinho Neto (líder político angolano, 1922 – 1979)

Nota-se, atualmente, uma ansiedade constante e uma busca frenética pelo domínio e controle de todos os aspectos da vida; e por uns instantes, esquece-se que a vida é um território virgem, inexplorado e que o caminho faz-se no próprio ato de caminhar. 
Há poucos meses atrás, no périplo diário pelos jornais dos países lusófonos, deparei-me com uma notícia com sabor a  surpresa, mas não a espanto: o meu caro colega, dos tempos da faculdade, a quem me dirijo agora como Sua Excelência doutor Jomo Fortunato, fora nomeado como ministro da Cultura, Turismo e Ambiente da República Popular de Angola.
Tal como Mário Lúcio em Cabo Verde ou Gilberto Gil, no Brasil, a escolha do titular da pasta da Cultura, nos países lusófonos, tem recaído sobre indivíduos cujo percurso profissional e inclusive pessoal segue paralelamente ao engrandecimento da arte e dos artistas nos seus países.
Crítico musical, historiador e professor universitário, ainda nos tempos da formação superior, Jomo Fortunato era um habitual participante e assíduo dinamizador de momentos artísticos e de manifestações e saraus culturais.
Um homem da cultura, entusiasta por todas as formas de arte: compositor, músico, escritor, entre vários outros...     e com uma paixão desmedida pela pedagogia, pela transmissão de conhecimentos e valores; com talentos inatos e irrefutáveis, o percurso deste nobre artista foi construído gradualmente, solidificando-se a cada nova profissão, a cada nova missão a que se dedicava.
Com uma bagagem cultural esplêndida e uma inteligência aguçada e célere, Jomo Fortunato criou uma espiral ascendente de saber e de conhecimento, ao ligar o conhecimento acadêmico e técnico ao saber cultural e artístico, trazendo desenvolvimento humano e social, a um país afortunado pela natureza mas carente de recursos humanos.
Um digno e nobre caminhante do percurso da vida, que não apenas vem construindo uma trilha para si, mas também para os seus conterrâneos e para as gerações vindouras; constrói pontes de sinergias e fontes de saber. Caminha e faz caminho, um exemplo para todos quantos, afobados e preocupados com o futuro, se esqueceram que esse é construção própria, diária e incansável.

 



 

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