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Largados e pelados

Em tempos de pandemia pela Covid-19, fase amarela, laranja ou vermelha, deixam toda a população, emocionalmente largada, desesperada e pelada. Deprimidos e em mania, como no transtorno bipolar, desconhecemos e oscilamos por quais caminhos devemos transitar. Isolados ou socializados? Vermelhos, laranjas, pretos ou amarelos? Estamos vivendo um pandemônio. Será que a culpa é de Cristovão Colombo, que virou estátua nos EUA? Ela foi derrubada, incendiada e jogada em um lago por manifestantes, e continuam ao redor do mundo os protestos. Será que adianta?

Reféns pela Covid-19 e largados diante da psicose que assola alguns líderes, também largados e pelados, seguimos em frente. Temos que seguir em frente, desconheço outro caminho. Nada pode nos deter. Pegue a sua bússola. Agarre-a com unhas e dentes. Não esqueça sua máscara. No prédio do meu consultório, há estoques de máscaras descartáveis, pois os analisandos vão todos pelados, ou seja, esquecem ou resistem ao uso das mesmas. Quem não resiste ao uso das máscaras levanta as mãos!

Pelados, tempos atrás, era encontrar alguém nu. Hoje é alguém sem máscaras. Outro dia enviaram uma foto de três faxineiros trabalhando num prédio no 14º andar, limpando os vidros das janelas pelo lado de fora, de forma inadequada, e o bizarro do comentário foi a ausência das máscaras.

De nada adianta negar que estamos ameaçados pelo coronavírus. Devemos nos preservar. Lembrei, nesse momento bastante propício, do conto de fadas de autoria do dinamarquês Hans Cristian Andersen, publicado em 1837, chamado: “O rei está nu?”. Era assim: “Um bandido, fazendo-se passar por um alfaiate de terras distantes, diz ao rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la. O rei muito vaidoso gostou da ideia e pediu para ele costurar. Ordenou que comprassem os melhores tecidos e acessórios de glamour. Com o passar do tempo, impacientes pediram para ver a roupa e o falso tecelão mostrou a mesa vazia. E o rei exclamou: que lindas vestes! Você fez um trabalho magnífico, muito embora não visse nada além de uma mesa vazia, pois dizer que nada via, seria admitir que não tinha a capacidade necessária para ser rei. E todos soltaram falsos suspiros de admiração pelo trabalho do bandido. No final, o rei sai todo pomposo desfilando pela rua e todo mundo nota que ele está nu, mas ninguém tem coragem de falar. Enquanto o rei desfila pela rampa, uma criança grita: ‘O rei está nu!’, e todos concluem que, se uma criança, com toda a sua pureza, constatava que o monarca estava mesmo exposto em suas vergonhas, é que tudo naquele reino não passava de uma farsa”.

Pelados e largados corram, peguem suas máscaras, álcool em gel, mas não se esqueçam de pegar a sua bússola interna. E nunca mate a criança que há em seu interior.

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