Laticínios diminuem o risco cardiovascular 

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Você que acompanha as redes sociais, Youtube e outras mídias já deve ter assistido mais de dez vezes influenciadores, médicos, nutricionistas, personal trainers etc, afirmarem que leite é inflamatório e faz mal para saúde. Normalmente são os mesmos que propagam dieta low carb, carnívora, paleolítica e outros disparates criativos. As fontes dessas informações tão absurdas, à luz as ciência, permanecem um mistério. 

DOENÇAS CARDIOVASCULARES (DCV)
São as doenças eleitas como “inimigo público número 1”, pois são as que mais matam no mundo. São muitas as pessoas que sofrem delas, algumas as carregam por décadas quando se dedicam aos cuidados necessários, outras pessoas as descobrem apenas quando seu alto grau de fatalidade se manifesta num infarto fulminante, e sobrecarregam consideravelmente os sistemas de saúde público e privado.

DCV 2
Os fatores de risco não modificáveis para essas doenças são: herança genética, idade e sexo. Os fatores modificáveis, que podem (e devem) ser controlados são: tabagismo, etilismo, sedentarismo, dietas não saudáveis, estresse, sobrepeso e obesidade, inflamação crônica, diabetes e hipertensão arterial. Especificamente sobre a dieta, no geral deve ser carregada de vegetais, bem moderada em alimentos ricos em gorduras saturadas (animais) e ser isenta de alimentos ultraprocessados. E há o fator leite.

LEITE É UM ÓTIMO ALIMENTO
O consumo moderado de leite é recomendado em muitos guias alimentares. Ele é rico em proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais. Seus efeitos prejudiciais ou protetores quanto ao risco de doenças cardiovasculares (DCV) são frequentemente discutidos. Alguns estudos mencionam que o leite fermentado ou laticínios desnatados melhoram o metabolismo lipídico e reduzem a inflamação, como efeito protetor para as DCV. Por outro lado, considerando leite integral e queijos com alto teor de gorduras saturadas, o risco de DCV pode ser aumentado.

LEITE NÃO É INFLAMATÓRIO
Estudo recente realizado com dados de pessoas de 185 países de 1990 a 2018 rendeu mais pontos em favor do leite. Demonstrou que não houve aumento dos parâmetros marcadores inflamatórios, mas sim diminuição. Justamente esses parâmetros inflamatórios diminuídos estavam relacionados com a diminuição do risco de DCV. Neste levantamento amplo foram considerados estudos que incluíam leite, iogurte e queijos com diferentes teores de gordura.

ALIMENTO PROTETOR
Estudos anteriores já haviam demonstrado que o consumo regular de leite diminuía o risco de o indivíduo desenvolver condições de hiperglicemia (pré-diabetes e diabetes), dislipidemia (colesterol e LDL-col aumentados) e hipertensão arterial. Estas condições representam fatores de risco severos para as DCV. Neste estudo recente também foi observado que a frequência do consumo de leite (diariamente) é o fator protetor mais significativo do que o teor de gordura saturada.

GRUPOS DE RISCO
E anote essa última conclusão do estudo. Os indivíduos com risco aumentado para DCV, tais como obesos, diabéticos, hipertensos etc, estão entre os mais beneficiados pelos efeitos preventivos do consumo regular de leite. Certamente os influenciadores e alguns profissionais da saúde continuaram a falar mal do leite. Cabe a você selecionar em quais profissionais vai confiar e quais alimentos são realmente bons para sua saúde.

Indivíduos com risco elevado para DCV estão entre os mais beneficiados pelos efeitos preventivos do consumo regular de leite.


Referências

Bhupathi V, Mazariegos M, Cruz Rodriguez JB, Deoker A. Dairy intake and risk of cardiovascular disease. Curr Cardiol Rep. 2020; 22(3): 11. http://dx.doi.org/10.1007/s11886-020-1263-0 

Du Y, Bao R, Zhang S, Ericson U, Borné Y, Qi L, Sonestedt E. High-fat and low-fat fermented milk and cheese intake, proteomic signatures, and risk of all-cause and cause-specific mortality. Eur J Nutr. 2025; 64(7): 297. http://dx.doi.org/10.1007/s00394-025-03815-6 

Ma D, Cheng X, Fang Q, Ni S, Wang F, Hu P. Dairy consumption and cardiovascular disease risk: a multi-level analysis with inflammatory biomarker mediation. Nutr Metab (Lond). 2025; 22(1): 156. http://dx.doi.org/10.1186/s12986-025-01060-6 

Miyagawa N, Takashima N, Harada A, ..., J-MICC Study Group. Dairy intake and all-cause, cancer, and cardiovascular disease mortality risk in a large japanese population: a 12-year follow-up of the J-MICC study. J Atheroscler Thromb. 2025; 32(5): 596-607. http://dx.doi.org/10.5551/jat.65049 

Yun H, Sun L, Wu Q, ..., Lin X. Lipidomic signatures of dairy consumption and associated changes in blood pressure and other cardiovascular risk factors among chinese adults. Hypertension. 2022; 79(8): 1617-1628. http://dx.doi.org/10.1161/HYPERTENSIONAHA.122.18981 

 

Publicidade

Veja também