Lojistas de materiais de construção comentam sobre reabertura

Estabelecimentos buscaram se adaptar ao período de portas fechadas, com atendimento drive-thru, por exemplo, mas relatam queda no faturamento

PRUDENTE - OSLAINE SILVA

Data 20/04/2021
Horário 07:22
Foto: Cedida
Para Sebastião, fechamento das lojas “foi uma grande injustiça”
Para Sebastião, fechamento das lojas “foi uma grande injustiça”

Com o retorno à fase vermelha, em vigor novamente desde a segunda-feira da última semana, em todo o Estado de São Paulo, as lojas de materiais de construção, que são serviços essenciais, puderam voltar a contar com atendimento nos estabelecimentos seguindo protocolos sanitários e de segurança. O serviço realizado presencialmente estava proibido durante a fase emergencial, o que, para Sebastião Leoneti Vieira Costa, proprietário da Construcem, há mais de 20 anos no mercado, foi uma “das maiores injustiças, porque não diminuiu os casos da doença e só prejudicou ainda mais, aumentando a agonia dos comerciantes”. Segundo ele, em sua loja, por exemplo, já é habitual a compra de centenas de máscaras semanalmente para distribuir gratuitamente para seus clientes que eventualmente chegassem sem o item. 
Na Pontal, esse período da fase emergencial em que os estabelecimentos de materiais de construção permaneceram fechados, as vendas caíram na primeira semana em torno de 30%.  De acordo com a gerente Fernanda Braghin foi um período de adaptação, onde o faturamento caiu e fizeram algumas mudanças para tentar atender o cliente da melhor maneira possível. “Foi instalada uma tenda no estacionamento com atendimento drive-thru. Neste retorno à fase vermelha, para preservar a saúde e segurança dos clientes e também dos funcionários, continuamos com álcool em gel, uso obrigatório das máscaras, respeito ao distanciamento, a loja possui ótima ventilação e grande espaço físico”, expõe a gerente, que entende ser importante a abertura das portas do comércio não somente no setor de materiais para construção, mas de todos. 
“Alguns itens necessariamente o cliente precisa ver pessoalmente para escolher, como pisos e porcelanatos que possuem relevo. Acredito que com todo o cuidado devido e segurança para o cliente e funcionário, todo comércio deveria estar aberto. Permitir a liberdade sem gerar aglomerações, com regras e horário marcado”, considera Fernanda.
“O comércio acaba ajudando os governantes no combate à doença no que diz respeito à prevenção, à conscientização, porque segue todos os protocolos sanitários. O que não ocorre nas ruas. Isso é uma injustiça. Os órgãos que têm competência de agir a favor da gente não fazem nada. Eu confesso que o sentimento é como se a gente tivesse numa ditadura, vivendo uma crueldade muito grande. Ficamos fechados pagando impostos, enquanto alguns ficam aí em seus gabinetes parados e recebendo”, se indigna Sebastião.

“O comércio acaba ajudando os governantes no combate à doença no que diz respeito à prevenção, à conscientização, porque segue todos os protocolos sanitários
Fernanda Braghin

Investimento maior

Sebastião é sincero e diz que quem for investir na construção civil neste momento tem que pensar e se programar, porque são “investimentos altíssimos”. Segundo ele, construir uma casa hoje ficará três vezes mais cara do que ficaria em tempos normais.
Isso porque hoje, além dos preços estarem lá em cima, está faltando produtos, o que desestabilizou um pouco o mercado. O empresário destaca, por exemplo, que o aço praticamente triplicou o valor. A parte de PVC teve um aquecimento muito grande, além da falta do produto. Em sua loja, ele diz ter feito pedidos de uma marca, em agosto, que não chegaram até hoje. Assim como de outras, em novembro, que também não chegaram. 
“Isso é uma corrente, uma cadeia em que se um não tá bem o outro também não vai bem, e essa desconfiança da economia quebrar gerou um caos total no setor da construção civil, que vem sendo o termômetro da economia do país. Não sabemos se essa falta de produto é porque estão exportando ou se é por causa da pandemia, quando muitas fábricas fecharam as portas. Porque no começo dela foi uma catástrofe. Todo mundo foi demitindo funcionários, fechou-se as portas. Aí o ano foi excelente em vendas e o medo que tinha de que não se venderia foi o inverso, dobrou-se a procura e as fábricas estavam fechadas”, lembra Sebastião.

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