Maestro de São Paulo dirige Orquestra de Câmara em PP

Jean Reis fala que município tem todas as qualidades e outros elementos necessários para a realização de um projeto dessa natureza

VARIEDADES - Oslaine Silva

Data 22/09/2013
Horário 21:39
 

Violinista dos musicais "A Bela e a Fera" e "Chicago" (Brodway & Disney), diretor artístico e maestro, Jean Reis, de São Paulo, apresenta a criação da Orquestra de Câmara Presidente Prudente (OCPP). A importância e repercussão que um projeto dessa grandeza significa para a cidade e região são reveladas por ele, que destaca ainda as oportunidades que alunos da área de música terão com a sua execução. Segundo o maestro, Prudente é um polo musical que se sobressai no Estado e será fácil trabalhar dando continuidade aos projetos já existentes no município, como o Projeto Guri e a Escola Municipal de Artes Professora Jupyra Cunha Marcondes.

Jornal O Imparcial Jean Reis foi violinista das principais orquestras sinfônicas de São Paulo, incluindo a Osesp e várias outras pelo mundo

Para ele, quando se tem um solo fértil para algum tipo de atividade e que tem todas as chances de germinar frutos fortes, é ai que precisa trabalhar. "Prudente é uma expoente que atende todas as cidades que a circundam, isso além da música", diz. Confira abaixo a entrevista com o maestro:

 

O IMPARCIAL - Do que se trata esse projeto?

JEAN REIS – O projeto trabalhará com as pessoas da grande região de Prudente, do norte do Paraná e eventualmente outras regiões que possam integrar este trabalho conosco. Trata-se da criação da Orquestra de Câmara Presidente Prudente (OCPP), um sonho da administração da cidade, especialmente da Secretaria de Cultura, onde inclusive o secretário da pasta já disponibilizou o Centro Cultural Matarazzo, onde ocorrerão tanto os ensaios, quanto os concertos. Estarei trabalhando na direção artística da orquestra e coordenando toda a parte administrativa aqui, a diretora Fabiane Sanches. Na verdade trabalharemos juntos, estaremos envolvidos para servir e suprir uma necessidade local. Em breve mais informações estarão disponíveis no site www.ocpp.com.br, ainda em construção.

 

OI – Como será essa Orquestra de Câmara?

JR - Este trabalho é para ser feito em âmbito profissional. Será composto por um grupo, uma orquestra de cordas, com cerca de 20 integrantes. É um projeto aprovado pela Lei Rouanet, sob o número de Pronac 131360, pronto para iniciar suas atividades. Estamos, neste momento, num trabalho de prospecção em busca de parcerias para que se possa executá-lo.

 

OI – Como é essa busca por parcerias?

JR – Na verdade isso inclui especialmente empresas que tenham o interesse e a possibilidade de se alinhar ou de podermos trabalhar juntos, sendo que a orquestra com a sua estrutura deve estar alinhada tanto às empresas que farão o patrocínio da orquestra, quanto ao perfil artístico da necessidade da cidade.

 

OI – Qual a importância da OCPP para o público?

JR – O que ocorre é que devido à posição geográfica da cidade, é mais dificultoso para as pessoas da cidade e região se deslocarem até os grandes centros culturais, como São Paulo, Campinas, entre outras, para usufruírem de concertos de uma orquestra ou de concertos de nível profissional. Dessa forma, ao invés de levarmos um contingente que é impossível, inimaginável de pessoas para prestigiar esses eventos, os traremos para a cidade com a orquestra. Ofereceremos uma atividade cultural e profissional para que essas pessoas possam ter essa parte da cultura que, em se tratando de País, ainda não é tão estratificada como gostaríamos que fosse.

 

OI – Como a orquestra será montada?

JR - A intenção é selecionarmos bons profissionais para integrarem esse grupo, que terá um repertório de orquestra que seja bastante eclético, ou seja, não somente disponibilizar o repertório tradicional de uma orquestra de cordas, dentro de toda a sua literatura musical escrita, desde 1.600, seus vários períodos até os dias atuais. Mas também disponibilizar trabalhos de compositores nacionais, e alguns deles vivos, inscritos para essa formação de orquestra e outros inscritos especificamente para a Orquestra de Câmara de Prudente, entre outros.

 

OI – De que maneira pretende trabalhar com o grupo?

JR – A intenção é trabalharmos junto com outras entidades culturais já existentes na cidade como, por exemplo, a existência de um trabalho sério na linha de dança, balé. Temos ainda a possibilidade de trazer para a orquestra um grupo de estagiários, estudantes de nível mais avançado do Projeto Guri para que juntos possamos aperfeiçoar esse trabalho incrível que já vem sendo realizado no município nessa linha. Diga-se de passagem, excepcional.

 

OI – A OCPP vem para fomentar a cultura da cidade?

JR – Com certeza. A orquestra irá sem dúvida fomentar na sua área o trabalho que já está sendo feito em Prudente. E vai trazer para o palco um nível de música que não poderia ser apresentado se não fosse em profissional. O projeto está previsto para realizar dois concertos ao mês, noturnos, oficiais para o grande público e outros didáticos também.

 

OI – Quais as oportunidades e possibilidades que a orquestra trará para a cidade?

JR – Algo importante de se ressaltar é que abriremos a possibilidade de concertos específicos para estudantes, explicando não somente o básico do funcionamento de uma orquestra, mas muitas informações que são relacionadas ao que é a música. Informações que os mesmos devem ter da música enquanto cultura, como um incentivo para que se estude música, para que se compreenda quais são as possibilidades enquanto estudantes, deles chegarem quer seja a um bom ouvinte qualificado, um instrumentista amador qualificado e, ainda no caso de alguns, a chance de buscar ser um profissional da música, também por uma questão de ser modelo a ser seguido.

 

OI – O que quer dizer quando fala em modelo?

JR – Todo mundo precisa de um modelo para alguma coisa, isso é fato. As crianças, principalmente, têm essa necessidade para se formarem e nós temos a obrigação de oferecer essa imagem de modelo para que elas e os jovens tenham uma perspectiva do que podem estudar. A música é uma atividade comprovadamente explicada em estudos e mais estudos como aliada, atuante no funcionamento cerebral sendo um elemento muito forte na formação intelectual das crianças. E para o jovem é não somente a questão intelectual, mas também a social que fornece aos mesmos uma opção de atividade que os ajuda no equilíbrio social, emocional. Isso também é comprovado quanto a jovens que se envolvem com a música, especialmente quando de boa qualidade.

 

OI – O que quer dizer com "boa qualidade"?

JR – Quando me refiro à boa qualidade não quero dizer que esta ou aquela música é melhor do que a outra e sim que em qualquer estilo temos boa música, ou outras que não têm tanta qualidade assim. Seja ela erudita, popular, sertaneja, ou nos estilos mais específicos, como rock, jazz, blues. Enfim, em toda área você sempre tem uma matéria-prima boa e outra nem tanto aceitável. São decorrências de um projeto dessa natureza. Sem contar que, além disso, você tem ainda uma sociedade envolvida que faz seus julgamentos.

 

OI – Mais algum elemento será levado em conta na execução do projeto?

JR – Sim. Juntamente com a orquestra estará atuante o perfil do patrocinador que pode ter uma preferência por uma linha de trabalho que tenha um alcance social diferenciado mais específico, e estaremos atentos a todas essas necessidades, não somente artística, mas, também social. Associado aos patrocinadores, poderemos ter acesso a questões sociais que sozinhos talvez não conseguiríamos atingir.

 

OI – O público já pode comemorar esse feito?

JR – O projeto da orquestra está pronto para ser executado e, neste momento, o mais importante é que tenhamos a compreensão da parte social do município, que são as empresas e até pessoas físicas, que queiram ser parte da estrutura financeira que o projeto prevê com a isenção do imposto de renda. No Brasil, ainda não temos uma cultura arraigada do mecenato, como em outras culturas como nos Estados Unidos, por exemplo, em que cidades de pequeno ou médio porte têm suas orquestras mantidas pelos seus habitantes através do mecenato. Pessoas físicas participando. Aqui ainda temos uma hesitação por parte de indústrias em aproveitarem esse privilégio em poder ter suas marcas expostas de forma gratuita para a empresa. Porque na verdade a isenção deste imposto é apenas uma transferência do que teria de se pagar destinada para beneficiar uma atividade cultural da cidade.

 

OI – Terá algo internacional nesse projeto?

JR – Sim. Nossa intenção é trazer artistas internacionais que possam estar solando com a orquestra e ao mesmo tempo eles estarão oferecendo masterclasses aos estudantes da área os motivando ainda mais.  Estes artistas já estão trabalhando conosco. Em junho, realizamos um circuito de quatro festivais abrangendo os Estados do Ceará, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul, fizemos uma semana de evento com esses profissionais que vieram dos Estados Unidos e da Europa para que pudéssemos dar a oportunidade aos estudantes mais avançados de suas regiões de poderem estudar nestes dias aperfeiçoando suas técnicas. Então alunos que são profissionais em seus locais de origem vão a estes festivais para poderem estudar e, logicamente outros alunos que estão a caminho de se tornarem profissionais, participam. Durante uma a duas semanas, eles têm esse contato com estes artistas internacionais e é onde muitas vezes podemos encaminhá-los para estudar fora do País. Dessa forma, a cidade vai atrair uma movimentação acadêmica bastante forte ao longo dos concertos da orquestra.

 

OI: Por que Prudente?

JR: "Por que não Prudente" é a pergunta correta a ser feita. A cidade tem todas as qualidades e todos os elementos necessários para que se implante um projeto dessa natureza. Não somente as condições para que se implante, mas as necessidades de um projeto dessa importância. Como já mencionei no início, a questão geográfica, da necessidade que pode atender toda a região, além, de ser uma cidade altamente musical, o que é comprovado nos projetos já em andamento como a Escola Municipal de Artes Professora Jupyra Cunha Marcondes, o Projeto Guri, e outros tantos profissionais da área de música. Em segmentos distintos, mas da área, contudo, profissionais. Alunos que estudaram na cidade e saíram e estão se projetando fora da cidade... Enfim, quando se tem um solo fértil para algum tipo de atividade e que tem todas as chances de germinar frutos fortes, é ai que precisa trabalhar. Prudente é uma expoente que atende todas as cidades que a circundam, isso além da música. É uma líder que centraliza as demais, o que a torna adequada para este projeto audacioso, no sentido de ter uma pretensão real de executar e preencher uma necessidade que é real.

 

OI – Maestro, seu currículo é admirável. Pode falar um pouco de seu trabalho aqui no Brasil?

JR – Sim, claro.  Na verdade faço o que gosto e me dedico ao bem fazê-lo. Entre alguns dos meus trabalhos, fui violinista do Quarteto Paulista de Cordas, da Sinfônica Municipal, Sinfônica do Estado e Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho e Orquestra Sinfônica de Campinas. Atuei como segundo maestro e violinista dos musicais "A Bela e a Fera" e "Chicago" em São Paulo numa produção da CIE Brasil e mais alguns .

 

OI - E lá fora?

JR - Nos Estados Unidos, integrei a Riverside Symphony Orchestra, Riverside Opera Orchestra, Redlands Symphony Orchestra, Redlands Bowl Symphony Orchestra, Mississippi Symphony Orchestra, Meridian Symphony, Orchestra and Gulf Port Symphony Orchestra. Fui professor de violino e prática de orquestra na Universidade Livre de Música e Acarte. Estive à frente da Orquestra Arpeggione , Mont Blanc Chamber Orchestra , banda Sinfônica de Buenos Aires, Orquestra Filarmônica de Mendoza, Northwest Florida Ballet, Northwest Florida Symphony Orchestra, Sinfonia Gulf Coast, University of New México Symphony Orchestra and Choir, entre outros.

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