Maestros afirmam: é possível aprender música remotamente

Reinventou-se a forma de ensinar, e os instrumentos não ficaram de fora; tanto entre as crianças quanto no ensino superior, adaptações foram feitas de modo a prosseguirem as aulas

VARIEDADES - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 04/07/2020
Horário 04:01
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“Quando estão tocando uma música, vem aquele sentimento positivo”. Muitos, em tempos de pandemia, custam a encontrar essa positividade que o maestro Luiz Antônio Peres Filho, o Luizão, menciona. Como ele diz, talvez um dos caminhos que levam aos bons sentimentos seja a música. Mas não se engane, nada é mágica. Até no projeto Camerata, onde o bom som e as boas vibrações estão sempre presentes, a reinvenção precisou ocorrer e, assim, as dificuldades do distanciamento social foram superadas.

 

“No início da quarentena, nós já tínhamos um material pronto para desenvolver na internet. Esse período potencializou nosso trabalho virtual e isso foi bom. Eu tive alguma dificuldade de passar a experiência e o material on-line, porque tem alguns alunos, que a gente trabalha, que são muito humildes. Talvez eles tenham internet, mas não de qualidade. Esse material demora para chegar, para abrir e também para o aluno enviar a resposta”, conta Luizão.

Mesmo com esses entraves, o maestro afirma que a equipe da Camerata conseguiu transformar esse momento ruim em algo bom. O que mais faz falta, segundo ele, é o calor humano, a troca dessas boas vibrações, visto que a escola é de formação de orquestra, e os trabalhos costumavam ser em grupo. “Nesse momento nós passamos a trabalhar individualmente e trabalhar assim não é tão caloroso. Mas avalio que foi muito boa à recepção dos alunos para esse trabalho”, garante o maestro.

 

UM BOM CANAL DE

APRENDIZAGEM

O professor e maestro Valter Luiz Trevisan, já na área do ensino superior - Bacharelado e Licenciatura em Música da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), também revela o receio que professores e alunos tiveram quando do início das atividades remotas, visto que, a música demanda muita prática. Porém, conforme avançavam as aulas, perceberam que o comprometimento de ambas as partes seria suficiente para a garantia de um bom canal de aprendizagem.

“Os professores passaram a fazer videoaulas e a interação foi grande, os alunos corresponderam com vídeos também. Acredito que a educação não será mais a mesma no pós-pandemia. A experiência que os professores têm hoje pode ser uma ponte entre o EAD [Ensino à Distância] e o presencial, na forma de um híbrido”, expõe Valter.

 

MOMENTO DE

APRENDIZADOS

“A arte de modo geral, principalmente a música, tem função primordial: o aspecto afetivo que aproxima as pessoas mesmo que em pensamento”, garante Valter Trevisan, que com base nisso, considera uma boa ideia o investimento do tempo ocioso da quarentena no aprendizado de algum instrumento.

Luizão acredita que a música pode ser introduzida com aulas remotas. Só que acredita que no início da aprendizagem com o instrumento, falando especificamente no seu caso que é o instrumento de cordas, tem que ter o contato com o professor. “Porque o professor precisa ensinar alguns detalhes que não tem como fazer pela internet, principalmente com crianças, que é meu maior foco de trabalho”, ressalta Luizão.

De qualquer forma, seguem os trabalhos e acumulam-se os aprendizados. O maestro Luizão acredita que a principal orientação é que a internet hoje tem um vasto campo para se pesquisar. “Isso permite que a pessoa que está em Prudente sinta que está tocando uma música com outra lá na Itália, nos Estados Unidos... isso é muito bom. Nesse momento, muitas crianças cresceram musicalmente e tem outras que desistiram. A palavra-chave é que a pandemia veio para potencializar o mecanismo da criança no fazer e no não fazer”, conclui Luizão.

 

“NESSE MOMENTO, MUITAS CRIANÇAS CRESCERAM MUSICALMENTE, E OUTRAS DESISTIRAM. A PALAVRA-CHAVE É QUE A PANDEMIA VEIO PARA POTENCIALIZAR O MECANISMO DA CRIANÇA NO FAZER E NO NÃO FAZER”,

Luizão

 

“A ARTE DE MODO GERAL, PRINCIPALMENTE A MÚSICA, TEM FUNÇÃO PRIMORDIAL: O ASPECTO AFETIVO QUE APROXIMA AS PESSOAS MESMO QUE EM PENSAMENTO”

Valter Trevisan

 

Foto – Weverson Nascimento - Maestro Luizão orienta os alunos de música por meio de videoconferências

 

Foto – Arquivo - Valter Trevisan acredita que a educação não será mais a mesma no pós-pandemia

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