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Maria Inês de Figueiredo Macca

Tempos modernos despertam por segundos - como vento que sopra tocando de leve - que nada vale a pena. Por segundos, um pensamento brota, a respeito da banalidade em que tratamos o professor que disponibiliza a ensinar o que aprendeu da professora que, aprendeu do velho professor, da professora que aprendeu. O professor não morrerá jamais. Eles moram sentados num lugar especial dentro de cada um de nós. Aquele que não encontra uma professora, num cantinho especial em si mesmo, perdeu a oportunidade da transformação em “gente”. Quando não existe em nosso mundo interno mental, memórias de um mestre, que nos toca, e emocionalmente nos remete à infância, a falha encontra-se na primeira escola chamada família.

O amor impera quando aprendemos com a experiência emocional o que é o amor vivendo o amor. É preciso planejar a construção de uma família. Fracasso no ambiente familiar impossibilita a condição primordial do espaço para a capacidade do aprendizado. Maus tratos, violência doméstica, abuso sexual, falta de respeito, ausência de diálogo e afeto estimulam a delinquência, distúrbios de aprendizagem, transtornos diversos levando à morte da criatividade, fertilidade, transformação e riqueza de uma nação. A escola torna-se estéril em sua função vital de fertilização, e gestação de cidadãos que compõem a nação.

E que lugar ocupa, na contemporaneidade, os professores? Sapatos são arremessados em sua direção. Aos murros são jogados no chão e pisoteados. São questionados, submetidos a inquéritos, proibidos, rechaçados, inibidos em sua inata condição de liberdade de expressão e em seu dever de controlar seu espaço chamado sala de aula.

Quero reverenciar todos os professores, homenageando Maria Inês de Figueiredo Macca. Certa vez, em uma aula de didática, recomendou o filme chamado “Náufrago” (2000), com Tom Hanks. “Chuck Noland precisa lutar para sobreviver, tanto fisicamente quanto emocionalmente, a fim de que um dia consiga retornar à civilização”. Foi uma grande lição para todos nós que iniciávamos a graduação em Psicologia.

E hoje, o investimento no setor educacional afunda já sem fôlego, em virtude da corrupção. Considero todos os professores como náufragos numa sociedade de valores invertidos. Não podemos “des-existir”, “des-investir” e “des-acreditar”. Como náufragos, temos de lutar pelo retorno à civilização. Persistir na fé e esperança. Os professores são mensageiros fundamentais na base de toda a construção da cidadania. Parabéns professores pelo seu dia! Salve todos os mestres!

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