Recebi no escritório uma cliente, médica, que gostaria de encerrar seu contrato com a nossa equipe. Sua agenda estava cheia e os nossos serviços já não eram mais necessários; conseguiria fazer o básico sozinha, sem uma rotina digital.
Naquele momento, concordei. Afinal, ela havia conquistado exatamente aquilo que desejava quando nos procurou: uma agenda lotada de pacientes. Objetivo cumprido, certo? Mas uma dúvida ecoava na minha mente e me deixava inquieta: será que o digital se resume a isso? Apenas a uma agenda lotada?
No meio da conversa algo, me chamou a atenção. Ela compartilhou que escalar não era seu objetivo, agora quer servir, devolver ao mundo tudo o que recebeu, por meio de trabalhos voluntários, ajudando em causas em que acredita; está em busca de um novo propósito.
BINGO!
Ali estava o verdadeiro motivo da nossa reunião. Não era um momento de pausa dos conteúdos, mas sim de mudança de objetivo.
Foi nesse momento que percebi que estávamos diante de um dos maiores equívocos que nós, profissionais de marketing, e também nossos clientes, costumamos cometer: acreditar que o digital é apenas como um caminho para o enriquecimento financeiro.
É compreensível que essa visão tenha se popularizado. Afinal, é assim que o digital tem sido vendido: promessas de “6 em 7”, “faça isso e fature milhões”, vídeos com números estratosféricos e influencers que transformam suas rotinas em vitrines de sucesso e acúmulo financeiro, muitas vezes baseadas em promessas vazias ou atalhos questionáveis nos bastidores.
Esse discurso sedutor nos leva a reduzir o digital a um atalho para ganhar dinheiro e esquecemos do seu papel principal: um lugar de servir, de ensinar, de compartilhar vivências, de criar impacto que vai além do saldo bancário.
Enquanto escrevia esta crônica, me lembrei de quantas marcas dizem estar em busca de mais conexão com a comunidade, valorização dos funcionários, parcerias genuínas com clientes e fornecedores. Mas, quando chega a hora de se posicionarem no digital, todo esse discurso se dissolve, e o que sobra são apenas números.
Um contraste que faz a gente pensar.
Acredito fielmente que o digital é uma extensão da nossa vida, seja como pessoa ou como marca, e cabe a nós escolhermos o nosso caminho: você quer apenas ser visto ou verdadeiramente lembrado? Porque no fim das contas, não se trata só de faturamento, mas do verdadeiro legado que deixamos para quem nos assiste.
Por isso, vai por mim: continue.