Antes de serem digitais, as redes sempre foram sociais. Elas nascem da convivência, da confiança e da proximidade que construímos na família, no trabalho, na escola e entre amigos. No comércio regional de Presidente Prudente, Pirapozinho e em toda a região oeste paulista, essa lógica sempre existiu. O que muda agora é o espaço onde ela acontece. Quando bem utilizadas, as redes sociais permitem que pequenos negócios levem para o on-line aquilo que sempre foi sua maior força: a relação de confiança e proximidade. O desafio está em transformar essa lógica cotidiana em estratégia consciente de comunicação e relacionamento.
Como professor de marketing, percebo que muitos empreendedores locais utilizam as redes sociais a partir de uma lógica bastante comum no mercado: comunicar ofertas e promoções como principal estratégia. Essa abordagem, que já trouxe bons resultados, começa a mostrar limites. Hoje, as pessoas não buscam apenas produtos, mas marcas que transmitam confiança, credibilidade e clareza na decisão de compra.
Esse cenário ganhou contornos mais concretos em um projeto de extensão em marketing desenvolvido com alunos do curso de Administração da Business School Unoeste, junto a uma farmácia local em Pirapozinho. O negócio passou a enfrentar a concorrência direta de uma grande rede farmacêutica, levantando uma questão central: como um empreendimento local, com recursos mais limitados, poderia se posicionar diante de uma marca nacional?
A resposta começou a ser construída a partir de um diagnóstico do negócio e do comportamento dos clientes. O projeto não buscou competir em escala, mas fortalecer relações. O primeiro eixo estratégico foi o uso das redes sociais para compartilhar conteúdos simples e úteis, como orientações sobre o uso correto de medicamentos, cuidados básicos com a saúde e informações relevantes para o dia a dia da população.
O segundo eixo estratégico foi o fortalecimento do personal branding dos próprios proprietários. Ao aparecerem nos vídeos, responderem dúvidas e mostrarem bastidores do atendimento, passaram a ser percebidos como referências de confiança e influenciadores da marca. Ao oferecer esse conteúdo de forma acessível, com a presença direta de quem está à frente do negócio, a farmácia passou a se posicionar como fonte confiável de orientação. Esse movimento fortalece a proximidade com a comunidade antes da decisão de compra e reforça a confiança construída na marca e nas pessoas que a representam.
Essa lógica dialoga com uma ideia clássica de Peter Drucker: sempre haverá a necessidade de vender, mas o papel do marketing é tornar o esforço de venda quase supérfluo. Quando o cliente confia e entende o valor, o produto deixa de ser empurrado e passa a ser escolhido.
A provocação que fica é menos sobre a presença das grandes redes e mais sobre como os negócios locais comunicam seu valor. Transformar proximidade e confiança em estratégia consciente talvez seja o caminho para ir além do preço e investir em relacionamento.