MEDICINA POR AMOR

Egressos da Unoeste compartilham experiências no 27º Congresso Médico Estudantil de Presidente Prudente

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 24/10/2019
Horário 05:12
Unoeste - Médicos Nemi, Murilo Antunes, Murilo Carapeba, Luciana e Vinícius Unoeste - Médicos Nemi, Murilo Antunes, Murilo Carapeba, Luciana e Vinícius Imagem: Unoeste - Médicos Nemi, Murilo Antunes, Murilo Carapeba, Luciana e Vinícius

Muito mais do que pensar na questão financeira é fazer aquilo que realmente te faz feliz. Esse foi o recado unânime dos cinco médicos, egressos da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), que hoje se destacam no mercado de trabalho na área que almejaram. Eles retornaram à universidade para a 27ª edição do Comepp (Congresso Médico Estudantil de Presidente Prudente), em atividade que ocorreu na sexta-feira, e deram exemplo do significado da “medicina por amor”.

Julio César Kreling, cardiologista e pesquisador de renome; Nemi Sabeh, médico da seleção brasileira feminina de futebol; Luciana Crivelin, dermatologista; Vinicius da Fonseca, cirurgião geral; e Murilo Antunes, cardiologista e professor da USP (Universidade de São Paulo), compartilharam suas experiências desde a formação acadêmica até os dias atuais. A conversa foi conduzida por Murilo de Oliveira Lima Carapeba, preceptor e coordenador do evento.

Antes de abordar a trajetória acadêmica e profissional, Vinícius ressaltou a importância que a Atlética da Medicina representou em sua vida. “Quando fui aprovado no vestibular, ainda tinha dúvidas se era isso mesmo que eu queria fazer, mas vim para a primeira aula. E foi quando vi a apresentação da atlética que decidi ficar. A atlética me ajudou a permanecer no esporte e foi um grande aprendizado em vários sentidos”.

Durante o curso, Vinícius lembra que já no segundo ano começou a ter interesse em cirurgia geral e, então, passou a auxiliar médicos cirurgiões para obter experiência. Depois da graduação, fez residência na área no Hospital do Mandaqui e cirurgia geral avançada no Hospital das Clínicas (FMUSP), com estágio optativo em San Diego, na Califórnia. Também no Hospital das Clínicas finalizou recentemente seu doutorado, experiência que, segundo ele, foi essencial para o seu crescimento profissional e científico. “Ciência não gera renda, mas dá o maior prazer em saber que você pode contribuir com as pessoas”, frisa.

“Ratrê”

O médico da seleção brasileira feminina de futebol conta que ingressou na Unoeste no mesmo ano em que foi inaugurado o Hospital Universitário (atual Hospital Regional), e lembra que foi um marco. Outro fato marcante em sua trajetória acadêmica foi a criação da atlética junto de seus amigos de turma, inclusive mostrou foto histórica do exato momento que eles criaram o hino da atlética, o famoso “Ratrê”. Também foram eles que idealizaram o logo amarelo e preto com o morcego, símbolo do curso.

Sobre chegar onde está hoje, Nemi conta que nunca imaginou, mas que sempre teve foco nas coisas que queria. Fez residência em ortopedia e especialização em medicina esportiva. Já atuou no time de base do Corinthians e em 2009 iniciou na seleção feminina. “Esse é o meu grande prazer. Amo o que faço!”, pontua.

Júlio, por sua vez, é da 1º turma de Medicina Unoeste, ingressou em 1988. Ele também relembrou momentos da época de estudante, como quando foi ousado numa visita do então governador e pediu que autorizasse a utilização do Hospital Estadual para aprendizagem dos estudantes. Um feito na época. Ele fez residência em cardiologia na USP, onde também fez outros cursos, trabalhou em hospitais como Sírio Libanês e Albert Einstein. Para os alunos, num discurso emocionado, ele deixou a seguinte mensagem: “Nós, médicos, precisamos sempre colocar o paciente como alguém que amamos muito e lembrar que aquele senhor tem um filho que o ama também, que aquele jovem tem uma mãe que o espera. No final, o que realmente importa é a quantidade de bem que você faz ao próximo, e não o tanto de bens [materiais] que consegue acumular na vida”.

Murilo Antunes, também cardiologista, ressaltou que é preciso ter gratidão sempre. “Sou grato por todos que ajudaram nessa caminhada e sou grato também à Unoeste que me acolheu. Por todos os lugares que passamos, levamos o nome da universidade e isso é gratificante”, destacou, deixando ainda a reflexão: “Dinheiro nunca será a causa, mas sempre a consequência de um trabalho bem feito. Ser médico não te torna um ser humano melhor do que ninguém, mas ser humano te torna um médico muito melhor do que outros”.

A caminhada para chegar ao sucesso profissional também teve obstáculos e sacrifícios para a dermatologista Luciana. Natural de São José do Rio Preto, ela veio a Prudente para estudar. Formou-se em 2005 e permaneceu na cidade, onde também fez especialização em clínica médica e dermatologia, mas em 2011 precisou abrir mão de toda a carreira construída em solo prudentino para retornar a Rio Preto. “Foi um momento muito difícil, porque eu precisava recomeçar... Mas logo fui aceita em uma das maiores equipes dermatológicas do município, fiquei durante três anos e depois decidi ter a minha própria clínica”, relembra Luciana, que também é professora universitária.

Abrindo o bate-papo entre egressos e estudantes, Murilo de Oliveira Lima Carapeba, preceptor e coordenador do Comepp, ressaltou o orgulho em receber os ex-alunos, e disse que esse encontro é fundamental para a instituição. “É um prazer participar deste momento, em que ouvimos as histórias de pessoas que também passaram pela mesma sala de aula de vocês e hoje se destacam no mercado de trabalho. Quero agradecer a todos os egressos que aceitaram o convite para participar deste evento e compartilhar suas experiências com nossos estudantes”, frisou.

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