O posto de gasolina do seu Alaor não "ia bem das bombas", expressão que inventei para dizer que o negócio ia mal e, é claro, além de gasolina, como é óbvio, o posto também vendia Vin Diesel, quer dizer, óleo diesel, etanol, querosene, etc e tal. Movimento fraco, poucos fregueses abastecendo seus carrões e seus carrinhos.
Alaor avaliou que o preço da gasolina mais alto do que poste era o principal motivo da queda nas vendas, mas não descartou outras razões. Mais preocupado do que astronauta em nave que perdeu o contato com a NASA, ele comentou a crise com a esposa, a Chiquinha, uma morenaça de fechar o comércio e a indústria, coisa que o coronavírus também fez com competência.
De cabelos longos, que chegavam na altura, digamos, dos rins, além de bela e faceira (nossa, que palavra bonita,sô!), Chiquinha era um pedaço de bom caminho e não de mau caminho. Economista, ela manjava um bocado de finanças e tudo o que envolve dinheiro, títulos, debêntures, IOF, enfim, essas coisas.
Taí: que tal levar a economista para administrar o posto? Como Chiquinha também era metida a publicitária, ela poderia criar algumas promoções numa tentativa de aumentar as vendas. Foi isso o que seu Alaor fez: deu o cargo de gerente para a mulher, tudo em família.
E não é que a presença de clientes começou a crescer mais do que massa de pão com excesso de fermento? Impressionante! Em poucos meses o movimento aumentou sobremaneira, e esse termo "sobremaneira" é de lascar (brincadeira, óbvio!). A qualquer hora o posto ficava cheio de fregueses, que faziam fila para abastecer e comprar na loja de conveniências, o que, aliás, era conveniente para o dono, um sujeito com cara de "muitos inimigos e não de poucos amigos".
A presença de Chiquinha era o motivo do crescimento. Com sua beleza estonteante, ela atraía a freguesia. Tinha cliente que só abastecia para paquerar a gerente, a bela que também era cobiçada por funcionários. "Essa minha patroa é boa pra caramba", admitiu um frentista. Na verdade, ele não falou "caramba". Falou outra coisa, mas isso não vem ao caso.
Uma vez um cliente, rapaz marombado, exagerou nos gracejos dirigidos à gerente e o marido percebeu. Como não tinha sangue de barata e de outros insetos, seu Alaor tirou satisfações e chamou o sujeito às falas. Com a ajuda de dois funcionários, rendeu o engraçadinho.
Depois, pra lá de irritado, pegou uma bomba e espargiu gasolina no paquerador, deixando-o encharcado. Em seguida, riscou um fósforo e, quando se preparava para atear fogo no rapaz, um frentista, que lavava um carro, gritou e lançou um jato d´água na direção do Alaor e apagou o fósforo. Evitou o pior para o patrão, que, após a poeira baixar, deu aumento ao frentista. Aumento de serviço com uns caraminguás a mais.
DROPS
Cada galho no seu macaco.
(Chico Anysio)
Nova dupla caipira em Brasília: Gaspar e Gasparzinha.
Era um poliglota tão sofisticado que falava até as línguas de sogra e de trapo.
Estamos na mesma carroça. Será?
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