Missa na Catedral homenageia artista plástico José Botosso

Cinco anos após sua morte, uma placa será descerrada durante celebração eucarística, que ocorre neste sábado, às 19h30

VARIEDADES - OSLAINE SILVA

Data 07/04/2017
Horário 10:55
 

O tempo passa, mas a memória precisa permanecer viva! É o que diz Rosa Amélia Bottosso, 56 anos, filha do artista plástico prudentino José Bottosso, que faleceu há exatos cinco anos hoje, quando estava com 81 anos,  vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ele que deixara este plano terrestre e é considerado, merecidamente como o responsável pelas belezas das pinturas no teto da Catedral São Sebastião, será homenageado com a celebração de uma missa solene, às 19h30 de sábado, e na sequência será descerrada uma placa na entrada da igreja. O que para a filha, entende-se como a importância de seu pai para este lugar santificado para os católicos.

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Desenhos geométricos que enriqueciam a arte na São Perdro

Professora e diretora da Aliança Francesa de Jaboticabal e que reside em Ribeirão Preto, Rosa está em Presidente Prudente para, neste momento, se juntar à família neste lugar onde está perpetuada a grande obra do mestre Bottosso!

"Estamos felizes pelo aceite da Diocese ao nosso pedido. Meu pai foi um cidadão prudentino que veio de sua terra natal com a família e aqui se transformou em um artista que desde pequeno se entregou a arte mostrando os dons que possuía. Meu avô entendeu e permitiu que ele fosse estudar em São Paulo. Lá ele se especializou e ao retornar, por muito tempo trabalhou em uma carreira sólida com pinturas em quadros até chegar aos painéis, murais de artes sacras", relata a filha.

Sua arte na Catedral de São Sebastião sempre foi para ele sua "grande obra"! De acordo com Rosa Amélia, o pai levou quatro anos para concluí-la. Ela acredita sim que as dificuldades pela altura, muitas vezes falta de espaço entre o andaime e o teto, entre outras peculiaridades, tenham sido alguns dos fatores para todo esse tempo. Mas: "ele era muito malandro e acho que ele demorou esse tempo de propósito só porque foi o mesmo que Michelangelo levou para terminar o teto da Capela Sistina, entre 1508 e 1512 . Essa grande obra dele é para nós mais um reconhecimento da cidade, dos amigos e familiares. É a oportunidade de deixar nessa placa a assinatura dele!", exclama a filha.

 

Atravessando fronteiras

Vários são os locais em Prudente que têm alguma obra sacra de Bottosso. Entre eles, além da Catedral de São Sebastião, estão presentes na Basílica no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Vila Marcondes e na Capela Nossa Senhora Aparecida, no campus II da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista). Sejam acervos públicos, particulares ou outras formas, elas também estão embelezando outras partes mundo afora. No Brasil, várias localidades possuem telas do artista como: no Estado de São Paulo, na cidade de mesmo nome, em São Caetano do Sul, Santos, Campinas, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Franca, Getulina, Dracena e em Presidente Venceslau na Igreja Santo Antonio de Lisbôa. Em outros Estados, Rio de Janeiro, as paranaenses Curitiba e Londrina, Brasília (DF), Salvador (BA), Arraial D’Ajuda (BA), Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).

No exterior, em La Paz e Santa Cruz (Bolívia), Valparaizo (Chile), Paysandu (Uruguai), Offenburg e Hamburg (Alemanha), Chicago, Nova Iorque e Welster City-lowa (EUA), Londres (Inglaterra), Paris, Montpellier, Palavas-les-Flots, Marseilles, Sete e Nîmes (França) e Evora (Portugal).

 

Manter viva!

Conforme Rosa Amélia, infelizmente, uma das paróquias que tinham as obras de Botosso, a São Pedro, já não as possuem mais. De acordo com ela, a igreja recebera nova pintura por conta de desgastes naturais causados pelo tempo. Depois de algum tempo foram encontrados nos documentos da igreja algumas fotos de como era antes da revitalização do prédio: Botosso aproveitou a forma retangular da igreja e nos vãos entre os vitrais pintou as quatorze estações da Via Sacra, circundadas por desenhos geométricos que enriqueciam a arte passional da via crucis.

Agora estão preocupados que possa acontecer o mesmo com outras obras que ele fez há décadas. Por isso, entrarão em contato com esses locais, como a Santa Casa de Misericórdia, que tem uma obra dele, um hotel nas proximidades no alto da Avenida Coronel Marcondes, sentido Hospital Estadual, a capela do Campus II, entre outros para que possam preservar a memória artística de seu pai. E na íntegra ela explana sem cessar:

"Visitaremos estes lugares, tiraremos fotos, faremos pesquisas, estudos, projetos para ver como podem ser restaurados e mantidos vivos esses patrimônios históricos. Prudente está completando seu centenário em 2017, então o que significa 100 anos se uma cidade não deixa memória para os que virão? Vai completar 200, 300, mas tem que ter as memórias de todas as etapas. Esse negócio de derruba prédio, constrói outro no lugar, coloca um monumento no chão, ergue outro novo. Isso é falta de valorização, respeito ao empenho, a dedicação de alguém que se entregou por horas, teve gastos. Temos que seguir exemplos de outros países que preservam coisas milenares que geram além de história, o fomento do turismo. Por que não podemos ser assim? Por que não abrimos nossa visão para o futuro? Prudente é uma cidade nova ainda tem como recuperar o que já se perderá e assegurar que o presente siga para o futuro!", exclama Rosa.

 

Praça Bottosso

Em junho de 2015 o artista plástico José Bottosso (in memorian) foi imortalizado não apenas em suas belas obras (pinturas sacras em igrejas e fazendas, quadros retratando a natureza morta e barcos, entre outros trabalhos), mas desde então tem seu nome gravado em uma praça que fica no Jardim Colina em Presidente Prudente. A iniciativa foi um projeto da família do pintor e do vereador José Carlos Roberto, Café (PT) que veio a falecer no final do mesmo ano.

 

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