Lá vem ela. A cada quatro anos, a maior competição entre seleções aparece para movimentar nossa vida. Alguns odeiam, é verdade. Tem quem não goste de futebol e até invejo um pouco essas pessoas porque como diz Carlos Drummond de Andrade na crônica ‘Sermão da Planície (para não ser escutado)’: “Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade”.
Só que eu não sou desses, infelizmente. Aliás, sou o louco das Copas. Eu sofro, choro, grito, rio e extravaso. Aliás, desde 1982, quando de fato entendi o que é essa paixão toda que insanamente invade a vida do brasileiro e tira da consciência dele tudo que não se refere a quatro linhas, uma bola e 22 homens em campo.
Antes de 1982 eu não tinha noção de nada por ser muito criança. Gostaria de ter vivido a conquista de 1970 e esses dias vi a série “Brasil 70: A Saga do Tri”, na Netflix. Recomendo porque traz um contexto muito legal de bastidores, principalmente, com as presenças marcantes de João Saldanha e Zagallo, além de mostrar que o rei Pelé já tinha escolhido naquela época ser um cara mais ou menos em cima do muro em relação a tudo que não fosse futebol. Pelo menos essa foi minha impressão.
Enfim, mas depois de ver duas conquistas mundiais, em 1994 e em 2002, agora estou pronto para mais uma. Ou não, porque de fato não temos nada no histórico recente, no que se chama de ciclo da Copa, que nos coloque como favoritos para além de ser pentacampeões mundiais. Trocas de técnicos, jogadores que não se sustentam, a novela mexicana Neymar, um técnico italiano que chega de última hora, tudo isso nos coloca em dúvida.
Mas o bom das Copas é que estas mesmas desgraceiras na preparação da Seleção pode ser o fator que irá nos levar ao título. Explico: sabe o roteiro do improvável ou a jornada do herói? Pois é. No futebol, já cansei de ver grandes estratégias irem ralo abaixo logo cedo e aqueles times que você nunca sonharia com nada, chegarem lá.
Será que será esse o nosso futuro? Será que chegaremos à final? Passaremos da primeira fase? Ou da pré-oitavas, seja lá o que for isso no regulamento?
O que eu sei, é a partir desta semana estou em Modo Copa. Meu radar estará mais focado em jogos, números, táticas, confrontos e nas histórias e mais histórias maravilhosas que um torneio como esse gira.
Quero, aliás, escrever muito sobre a Copa, coisa de um Diário da Copa, algo assim, com crônicas tiradas dos acontecimentos mais doidos, inesquecíveis ou banais. Mas vamos ver. Assim como a Seleção, prometo garra, prometo lutar pelos três pontos e seguir o que o treinador pede, mas não resultado.