Muito além da balança: como a obesidade afeta o corpo?

Segundo o endocrinologista André Camara, quanto mais tempo o excesso de gordura permanece, maior a inflamação do organismo

Saúde & Bem Estar - Cassia Motta

Data 04/03/2026
Horário 06:23
Foto: Freepik
Obesidade pode trazer consequências para o organismo
Obesidade pode trazer consequências para o organismo

Hoje, 4 de março, é lembrado o Dia Mundial da Obesidade, que deixou de ser um problema pontual para se tornar uma crise de saúde pública. De acordo com o Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta no Brasil apresenta excesso de peso, e cerca de 1 em cada 4 brasileiros vive com obesidade.

Segundo o endocrinologista de Presidente Prudente, André Camara, a obesidade não acontece por um único motivo. Não é só “comer demais” ou “falta de disciplina”, existe influência genética. “Algumas pessoas têm maior tendência a acumular gordura e menos gasto energético basal”. Além disso, de acordo com o especialista, o ambiente atual favorece o ganho de peso, como comida ultraprocessada barata e acessível, rotina corrida, pouca atividade física, sono em pequena quantidade, ritmo circadiano (relógio biológico) inadequado, muito tempo sentado e muito tempo de tela. “Estresse, ansiedade e alguns medicamentos também contribuem. É uma combinação de biologia com ambiente”, enumera.

Consequências da obesidade

O médico diz que entre os principais problemas associados à obesidade estão diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol alto, gordura no fígado, apneia do sono, dores articulares, infertilidade e maior risco de infarto e AVC (acidente vascular cerebral). Também há aumento do risco de alguns tipos de câncer. “Não é uma questão estética, é risco de saúde”, alerta.

O especialista ressalta que esperar piorar para procurar ajuda é um erro, porque a obesidade é progressiva. “Quanto mais tempo o excesso de gordura permanece, maior a inflamação do organismo e maior a resistência à insulina. Isso facilita o aparecimento de diabetes, pressão alta e problemas cardíacos. E quanto mais o peso sobe, mais difícil fica perder depois. O cérebro tende a ‘ancorar’ no maior peso da vida. Intervenção precoce costuma ser mais simples, menos agressiva e mais eficaz”.

Obesidade infantil

Sobre as crianças, a preocupação é ainda maior, afirma o médico. “A rotina mudou - menos atividade física, mais tela, mais alimentos industrializados. Uma criança com obesidade tem grande chance de se tornar um adulto com obesidade e já pode apresentar alterações metabólicas cedo, como resistência à insulina e aumento da pressão. Quanto antes começa a obesidade, maior o impacto ao longo da vida. Por isso, a atenção precisa ser precoce, estruturada e familiar. Não é só mandar a criança fazer dieta, é reorganizar o ambiente, a rotina e os hábitos”, pontua.

Cedida


Endocrinologista André Camara: “A obesidade não é uma questão estética, é risco de saúde”

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