Natal

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista que acredita em Papai do Céu e não em Papai Noel

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 13/12/2020
Horário 05:31

Até agora estou sem entender direito porque o Papai Noel dá uma de bicão, sem ser barrado na festa do aniversariante do dia 25, o menino Jesus. Parece que o Papai Noel é a estrela do Natal. Ora, dona Aurora (tem alguma Aurora lendo a crônica?), o dono da festa é o menino Jesus, mas os publicitários parecem se esquecer disso.
E tome de Papai Noel nos comerciais veiculados na mídia em geral. O "bombardeio" começa no fim de novembro. Só se fala no Papai Noel, o bom velhinho que quase sempre é manipulado por maus velhinhos.
Nenhum comercial cita uma frase sequer de Jesus Cristo. E olha que há mensagens sensacionais do Mestre no Sermão da Montanha. Baita mancada das agências de propaganda. Cadê a mensagem do aniversariante do dia 25 de dezembro?
Já que os ensinamentos de Jesus são solenemente ignorados na propaganda do Natal, o cronista fala da mais bela canção natalina já composta: “Boas Festas”, do grande compositor Assis Valente.
Ele puxa as orelhas do Papai Noel, quando afirma categoricamente que felicidade é brinquedo que o bom velhinho não tem. O compositor parece decepcionado com o Velho do Saco Grande: "Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel", constata Assis Valente.
Ele está absolutamente certo, pois a realidade prova e comprova que, neste mundo de ilusões onde o ter vale mais do que o ser, nem todo mundo é filho de Papai Noel.
Quer dizer: filhos de ricos talvez sejam mais filhos de Papai Noel do que a prole da dona Ernestina, que vive do Bolsa Família. 
A gurizada da Ernestina, ao contrário dos filhos de ricos, não nasceu com a nádega virada para o satélite natural da Terra. 
Eu também gostaria de ter nascido em berço de ouro e, pensando bem, me daria por satisfeito se tivesse nascido pelo menos em berço de bronze. 
Espero que um dia os ricos adotem os pobres e, se esse dia chegar, adoraria ser adotado pelo Lemann só para beber cerveja de graça.
Para encerrar essas divagações sobre o Natal, nada melhor do que mencionar Machado de Assis e seu Soneto de Natal. O escritor fala de um homem que recorda o Natal do seu tempo de criança. 
Em um texto que parece autobiográfico, ele compara o Natal de sua infância, "ao relembrar os dias de pequeno", com o Natal na velhice e conclui: "Mudaria o Natal ou mudei eu?"  
    
DROPS NATALINOS

Cestas de Natal Amaral. Bons tempos aqueles em que não havia a Torre do Geddel.

Que os seus dias sejam alegres e brilhantes e todos os seus Natais brancos.
(Irving Berlin, autor de White Christmas)

E então é Natal e o que nós fizemos? Vamos parar todos os conflitos.
(John Lennon em Merry Christmas) 

Aos pastores os anjos do céu anunciam a chegada de Deus.
(Joseph Mohr e Franz Xaver Gruber, autores de Noite Feliz)

P.S.: Por não ser de aço, como o Kal-El (Clark Kent), o Espadachim sai de férias e volta ao batente na segunda quinzena de janeiro. Paz e prosperidade! Que 2021 seja um pouquinho melhor do que o sinistro Vinte-Vinte, o pior ano da história da humanidade. 
 

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