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Novos casos de aids predominam entre jovens homossexuais

A cada ano, em média, 85 novos registros de infecção pelo vírus do HIV são diagnosticados em Prudente; infectologista André Pirajá alerta: “acredito que há uma subnotificação imensa”

PRUDENTE - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 29/11/2019
Horário 10:09

Entre 2014 e 2018, o número médio de casos diagnosticados de HIV em Presidente Prudente, por ano, esteve perto dos 85. Ao incluir-se 2019, a média cai para 81 casos, entretanto, isso não significa que a contaminação diminuiu, mas sim, o fato de que a contabilização deste ano ainda não está completa, visto que o ano ainda não terminou. Em 2014, 80 casos de HIV foram confirmados em Prudente; em 2015 foram 68; em 2016, 95; em 2017, 86; em 2018 foram 98; e neste ano, até a última contabilização, 64 casos foram diagnosticados. Neste domingo é lembrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids.

O médico infectologista André Luiz Pirajá da Silva crê que os dados, na realidade, não descrevem com precisão o número de infectados com o vírus HIV, já que a manifestação dos sintomas da doença pode aparecer de 10 a 20 anos após a infecção. “Acredito que há uma subnotificação imensa”, pontua Pirajá.

O secretário de Saúde de Presidente Prudente, Valmir da Silva Pinto, afirma que, nos últimos anos, constata-se uma manutenção com tendência de aumento dos casos da doença viral, “principalmente entre homens homossexuais, jovens, de 19 a 30 anos. “Eles não estão se precavendo em suas relações sexuais, já que a população tem perdido o medo da doença. A aids já não mata, então, há um relaxamento”, enfatiza o secretário.

Valmir reitera que o município tem realizado prevenção por meio de campanhas publicitárias, disponibilização de preservativos e um trabalho ativo com os profissionais do sexo. Entretanto, o grupo que atualmente tem preocupado a secretaria é “um público que não é fácil identificar, são jovens, estão inseridos no dia a dia”.

“Temos trabalhado a divulgação de informação voltada para esse novo público”, afirma Valmir. Ele lembra da campanha publicitaria polêmica veiculada em outdoors e busdoors (publicidade em ônibus) pela administração municipal neste ano. O fato da campanha contra o HIV trazer um casal homoafetivo como retrato do público-alvo gerou controvérsias. Valmir defende a tentativa, apoiando-se na necessidade de atingir o grupo que acumula 80% dos novos casos confirmados nos últimos anos.

MÉDICO ORIENTA

SOBRE A DOENÇA

O infectologista destaca que os sintomas iniciais da aids se assemelham muito ao de uma gripe forte, como dor no corpo, quadro febril e afins. Ele destaca, ainda, que os pacientes que não têm o diagnóstico rapidamente vão perdendo células de defesa do organismo e ficam suscetíveis a doenças oportunistas.

A prevenção, André Pirajá salienta, é o uso da camisinha na prática sexual, seja ela convencional, oral ou anal. “O preservativo protege conta qualquer infecção sexualmente transmissível”, esclarece. O médico também desmistifica temores que ajudam a manter uma visão preconceituosa: utilizar a mesma toalha de banho, copo, garfo, prato que um paciente contaminado por HIV não transmitirá o vírus. A única orientação é evitar o uso compartilhado de materiais que possam causar cortes, como alicate de unha e lâmina de barbear, ainda que esse tipo de contaminação seja muito rara.

“Hoje são 2 ou 3 medicamentos, no máximo, que são utilizados para controlar a doença, não há mais aquela história de coquetel”, completa o médico, crente de que os casos recentes, como afirmou Valmir, se devem a uma tranquilidade “perigosa” em relação à doença.

Casos confirmados de HIV em Prudente

2014: 80

2015: 68

2016: 95

2017: 86

2018: 98

2019: 64

Fonte: Prefeitura de Prudente

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