A inteligência artificial já é capaz de identificar doenças em plantas, estimar produtividades, analisar imagens de satélite e auxiliar na tomada de decisões no campo. Diante desse avanço tecnológico, uma pergunta tem sido cada vez mais frequente entre os jovens que estão escolhendo uma profissão: será que as máquinas irão substituir os profissionais?
Quando falamos da Engenharia Agronômica, profissão responsável por garantir a produção de alimentos, fibras e energia, isso parece pouco provável. Mas isso não significa que a profissão permanecerá a mesma. A agricultura está mudando rapidamente e, com ela, muda também o perfil do profissional que o setor precisa.
Então surge uma nova pergunta: quais serão as características do agrônomo do futuro?
Certamente será um profissional que, além das habilidades técnicas relacionadas ao solo, às plantas, ao clima, às máquinas e aos sistemas de produção, terá a capacidade de conectar informações e transformá-las em algo de valor: o conhecimento aplicado.
Grande parte da formação tradicional dos agrônomos foi construída em áreas específicas do conhecimento, como fertilidade do solo, fisiologia vegetal, proteção de plantas, mecanização, irrigação e climatologia. Essas áreas continuam sendo fundamentais, mas muitas vezes são estudadas de forma isolada. O desafio é que a agricultura moderna já não funciona mais em “caixinhas”.
Hoje, um mesmo produtor pode cultivar soja, milho, algodão e amendoim, utilizar plantas de cobertura, integrar agricultura e pecuária e ainda utilizar ferramentas digitais para monitorar sua produção. Isso torna os sistemas produtivos muito mais complexos e exige uma visão cada vez mais integrada.
Essa é uma característica marcante da agricultura tropical. Diferentemente de muitas regiões de clima temperado, onde frequentemente predominam sistemas mais simples e especializados, os sistemas agrícolas brasileiros são altamente diversificados. Por isso, o profissional do agro precisará compreender não apenas culturas isoladas, mas sistemas de produção completos. Mas o que esse profissional deve buscar durante sua formação?
Primeiro, sem dúvida, precisa “sujar a botina”. Estar no campo continua sendo essencial. É na lavoura, ao lado do produtor, que os problemas aparecem e as soluções são construídas. As ferramentas digitais serão cada vez mais importantes, mas dificilmente substituirão a experiência prática, a observação e a capacidade de interpretar o que realmente acontece no campo.
Em segundo lugar, é fundamental estar conectado à ciência. Nunca produzimos tanto conhecimento quanto atualmente. O desafio já não é encontrar informação, mas saber interpretá-la, separar o que realmente tem valor e transformar esse conhecimento em soluções aplicáveis à realidade do produtor rural. Afinal, informação está cada vez mais disponível; conhecimento aplicado continua sendo o verdadeiro diferencial.
Por fim, o agrônomo do futuro precisará estar conectado ao mundo. A agricultura é cada vez mais globalizada. O profissional deverá desenvolver habilidades de comunicação, conhecer outros idiomas e ser capaz de dialogar com diferentes públicos, desde operadores e produtores rurais até pesquisadores, empresários e desenvolvedores de novas tecnologias.
Diante desse cenário, apenas frequentar aulas teóricas ou práticas já não é suficiente. O profissional do futuro precisará transitar entre diferentes ambientes: salas de aula, laboratórios, grupos de pesquisa, plataformas digitais e propriedades rurais.
Mas, independentemente da tecnologia disponível, uma coisa dificilmente mudará: é no campo que os desafios surgem e é para o campo que as soluções devem ser construídas.
Por isso, o agrônomo do futuro deve sempre lembrar que não existe tecnologia, inteligência artificial, máquina ou produto mais importante do que o conhecimento.
Afinal, o melhor insumo para qualquer lavoura continua sendo o conhecimento.