O Espadachim, um cronista que mata a cobra e mostra a cobra mesmo.

Sandro Villar

COLUNA - Sandro Villar

Data 22/04/2020
Horário 09:00

Vermelho é uma cor que, sem e com sombra de dúvida, está satanizada no Brasil contemporâneo. "Eles são vermelhos, comunistas", dizem os ultradireitistas quando se referem aos esquerdistas. E fazem questão de bradar que "a nossa bandeira jamais será vermelha".

O caso da bandeira soa estranho até porque as bandeiras das grandes nações, a começar pelos EUA e a China, ostentam a cor vermelha em, digamos, seus símbolos máximos, ou seja, suas bandeiras.

Alemanha, Itália, França, Japão e Reino Unido incluíram o vermelho em suas bandeiras. A bandeira japonesa é branca com um baita sol vermelho no centro. Vai ver um perigoso comunista, daqueles que comem criancinhas, enganou o imperador e desenhou o sol vermelho no meio da bandeira.

Curiosamente as bandeiras de muitos países subdesenvolvidos não têm a satânica cor. E olhe que alguns desses países são grandes produtores de petróleo, mas esta é outra história e vamos em frente porque atrás vêm os credores.

Mas do que é que eu falava mesmo? Confesso que estou mais perdido do que o Brasil no 7 a 1 contra a Alemanha ou, se me permitem outro exemplo comparativo, estou mais perdido do que o Haddad na eleição presidencial.

Taí: citei o Haddad e me lembrei do assunto, de modo que retomo o fio da meada. Ele concorreu com o capitão e deputado federal Jair Messias Bolsonaro. Sem papas e bispos na língua - e talvez sem freiras -, o presidente eleito já mostrou a que veio.

Nas entrevistas, Bolsonaro deixou claro que vermelho que não se enquadrar nas novas regras irá em cana, sem direito a caldo de cana, ou para o exílio.

Se entendi direito, não tem conversa e, nesse caso, quem é vermelho, ainda mais vermelho incontido, como o Boulos, que se cuide. Fernando Henrique, ex-vermelho, não tem com o que se preocupar diante do recado do Bolsonaro.

Já que o presidente tem ojeriza pelo vermelho, aceito, para o bem da pátria, colaborar com o seu governo sugerindo algumas ideias. Tenho certeza que o Bolsonaro vai gostar. O Guedes e o general Heleno também.

Por exemplo: a partir do ano que vem nada de melancia vermelha, porque isso é coisa justamente de vermelho, comunista etc e tal. Proponho ao presidente uma pesquisa a ser feita por técnicos da Embrapa visando a criação de uma melancia verde, verde por dentro, como a casca. Não é  bacaninha? Evidente que Bolsô, para os íntimos, vai adorar a melancia verde por dentro e por fora. A Embrapa é competente para tal empreitada.

E o sangue? Que negócio é esse de sangue vermelho? Outra coisa de comunista. Bolsô poderia acionar o Ministério da Saúde no sentido de criar, com a colaboração dos hemocentros, sangue verde ou amarelo. Apenas essas duas cores no sangue da população, que certamente não se importaria de "esvaziar" seus corpos dessa imundície, o sangue vermelho.

Aí surge a dúvida: e quem tem sangue azul, como o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança Paulista, eleito deputado federal por São Paulo? Bolsonaro explicaria em coletiva com colete à prova de balas: "Aí já é de nascença, sem sangue vermelho no corpo. O hemocentro não precisará "esvaziar" o príncipe para injetar nele sangue verde ou amarelo".

 

DROPS

Cachorro mordido por cobra tem medo de corda.

Cereal killer é o trigo com fungo.

O mundo ideal não terá prisão, a não ser a prisão de ventre.

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