O domingo, 15 de março, em Porto Primavera (distrito de Rosana), não foi apenas um dia de sol escaldante às margens do Rio Paraná. Nas dependências da igreja local, o aroma da comida caseira, preparada em uma cozinha recém-inaugurada, misturava-se a uma ansiedade nobre. Cada lance dado no 1º Leilão da Corrente de Esperança não era apenas pela compra de um animal ou objeto, mas um investimento direto na manutenção da vida.
A engrenagem do evento, capitaneada por um exército de cerca de 50 voluntários — em sua maioria mulheres com mãos calejadas pelo serviço e corações abertos —, transformou a generosidade de padrinhos e doadores em um número impressionante: R$ 130 mil.
A ENTREGA DO SUOR E DO SORRISO
Nesta semana, o resultado dessa mobilização ganhou rosto e voz nos corredores do HE (Hospital de Esperança). A líder voluntária Simonete Orlandini e a vereadora de Rosana, Gislaine Vasconcelos, estiveram na diretoria do hospital para a entrega simbólica do cheque e a prestação de contas.
"Foi uma festa linda. Aos padrinhos que doaram o gado e os animais, meu agradecimento especial", afirmou Simonete. Mais do que entregar o valor, ela lançou um desafio aos municípios vizinhos: "Se cada cidade se organizar e fizer uma ação dessa, o impacto no tratamento, que já é de excelência, será ainda maior para toda a nossa comunidade".
Para Gislaine, a causa tem um peso pessoal. Ex-paciente do HE, ela agora atua do outro lado, unindo a força política ao voluntariado. "Estamos dialogando sobre o próximo passo. É uma união de solidariedade por uma causa de suma importância para os nossos munícipes", destacou a vereadora.
O VALOR DA "SOBREVIVÊNCIA"
Para o Hospital de Esperança, que atende integralmente pelo SUS, o recurso arrecadado em Porto Primavera tem um valor estratégico diferenciado. Enquanto emendas parlamentares muitas vezes ficam "presas" à compra de equipamentos específicos, os R$ 130 mil do leilão são considerados recursos de custeio.
Isso significa que o dinheiro vai direto para a "veia" da instituição: folha de pagamento e despesas operacionais do dia a dia. "Precisamos desses voluntários para podermos manter este hospital", agradeceu Jorge Guazzi, vice-presidente do HE, visivelmente emocionado com o empenho da comissão de Rosana.
GRATIDÃO REGIONAL
O marco histórico de Porto Primavera não seria possível sem a rede de apoio que envolveu a Corrente Feminina Para o Bem, a Prefeitura de Rosana, a empresa Mega Redes e dezenas de doadores anônimos. O evento prova que, quando o interior se mobiliza, a esperança ganha fôlego novo para continuar salvando vidas em todo o oeste paulista.

SIMONETE ORLANDINI: "SE CADA CIDADE SE ORGANIZAR E FIZER UMA AÇÃO DESSA, O IMPACTO NO TRATAMENTO, QUE JÁ É DE EXCELÊNCIA, SERÁ AINDA MAIOR PARA TODA A NOSSA COMUNIDADE"

GISLAINE VASCONCELOS: EX-PACIENTE DO HE, ELA AGORA ATUA DO OUTRO LADO, UNINDO A FORÇA POLÍTICA AO VOLUNTARIADO